da arte de não ter do que reclamar
eu só escrevo em momentos miseráveis.
não escrevo nada novo desde julho.
logo, as coisas estão bem.
não se preocupe, mãe-stalker.
eu só escrevo em momentos miseráveis.
não escrevo nada novo desde julho.
logo, as coisas estão bem.
não se preocupe, mãe-stalker.
Then I decided the only way to finish my dissertation was to live somewhere I’d be unhappy so I could focus. I moved into a hovel in Northampton with a friend, where we lived like monks and our apartment was full of skunk cabbage. Our heating system was an open flame in one room and we had to sleep in hats. I finished my dissertation.
Tem uma coisa que me irrita bastante e acontece seguidamente. Alguém fala algo genial. O outro responde “ah, eu ia dizer isso mesmo”. Sempre me parece mentira. “Não seu cretino, você não ia dizer ¬¬”.
Aí hoje quando li essa frase da Rachel Maddow, dyke da minha vida e exemplo de profissional que eu gostaria de ser se não abominasse tanto a profissão, lembrei de ontem, quando eu estava pensando em atualizar o blog.
A abordagem seria a seguinte: quando minha vida era uma miséria, havia tempo de sobra para estudar. Justamente agora, que tenho que me matar nos livros, a vida nunca pareceu tão boa. Se existe alguma inteligência “divina”, só pode estar de brincadeira comigo. Ou inteligência não é o melhor termo para definir seja-lá-o-que-for.
É engraçado ver que quanto mais eu leio Uma Longa Queda, mais me encanto com os personagens. Mesmo tendo praticamente decorado todos os diálogos. E mesmo lendo apenas quando estou um bocado deprimida. O que me leva a uma pausa para outro livro e seu Momento Miss:
- Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e três vezes!
E um pouco mais tarde acrescentou:
- Quando a gente está triste demais, gosta do pôr-do-sol…
- Estavas tão triste assim no dia dos quarenta e três?
Mas o principezinho não respondeu.
Fim do Momento Miss.
Nas primeiras leituras eu gostava do JJ e do Martin. A Maureen e a Jess não pareciam ser o meu tipo de suicidas. Hoje eu sou mais Mauren e JJ do que Martin e Jess. Mas isto é coisa que muda a cada leitura. O ponto é que nessa última leitura vi que minha vida ficou igual a da Maureen (e espero que meus três leitores e meio tenham lido o livro para não se perderem no raciocínio). Perto do final, ela diz uma frase que não tem nada de genial. E por isso mesmo é genial.
“É a vida. Uma pessoa cruza com a outra e, aquela pessoa quer alguma coisa, ou conhece outra que quer e, como resultado, as coisas acontecem. Ou colocando de outra forma, se você não sai e nunca conhece ninguém, então nada acontece. Como poderia acontecer?”
Eu avisei que não tinha nada demais. E é a frase dita por uma mulher solteira, crente, de mais de 50, que decide se jogar de um prédio porque sua vida parou quando o filho nasceu – há mais de 20 anos. Um guri em estado vegetativo desde sempre.
E, num piscar de olhos eu sou a Maureen. Só que meus filhos eram o transtorno alimentar e a fobia social. Por eles, perdi um bom pedaço da vida, mas, né? ainda tenho 24, e não estive – ao menos literalmente - à beira de um prédio. De forma que minha história é bem menos dramática, admito.
Ainda assim, eu fico puta com isso. Mas aprendi que lamentar é quase tão produtivo quanto sentar e observar uma corrida de tartarugas.
No caso do livro, o Chas meio que salvou o pessoal do suicídio (quem não leu, não precisa ficar indignado com spoilers porque isso tá na capa do livro). A Duda é o meu Chas. Não sei se cabe a comparação porque ele se mostra irrelevante na história e a minha amiga não é por um segundo irrelevante. Mas enfim, foi por ele que ninguém pulou.
E por ter me ciceroneado, hoje eu vou a bares e quase sou expulsa pelos seguranças, vou no Beco, caio de amores por DJs (ok, platônicos mas, oi, é um começo), dou em cima de gurias (coisa que eu não faria nem por um frasco de comprimidos de Greg House), não apanho e saio no lucro em boa parte do tempo, bebo sem me deprimir com o número insano de calorias contidas em uma Open, encaro xis com fritas do Cavanhas, não recuso convite para sair com desconhecidas – já acho até divertido, entre outros.
São coisas que qualquer pessoa normal faz com um pé nas costas. E tais coisas me surpreendem muito porque eu sei que até pouco menos de um ano eu era outra. (Eu era alguém que ouviu Bright Eyes seis mil vezes e MCR, 1.500 e, vamos combinar, não me orgulho nada disso).
Este final de semana foi provavelmente um dos melhores que já passaram pelo meu calendário e eu queria fazer aquele esquema “querido diário”:
-aí eu disse
-aí ela fez
-aí eu fiz
-aí nos quase fomos
-aí nos perdemos
-aí nos viajamos
-aí nós chegamos
-aí ela morreu
-aí eu me arrependo
E a vontade de detalhar não se restringe apenas à noite no Laika com a suicide girl, serve também para a Open e para o domingo na República. Mas eu sei o quanto isso não é novo pra ninguém.
Só quero deixar minimamente registrado porque diários pegam fogo e bytes, bem, bytes me ajudarão quando o Alzheimer pegar mais forte. E na verdade eu só escrevo por este motivo de modo que nem deveria estar me desculpando.
Quarta tem Open. Eu deveria estar estudando a Teoria do Meio, o McLuhan e o Twitter, pra ganhar o maldito diploma inválido de jornalista. O que é mais motivador?
Eu penso o mesmo.

procrastination isn’t the problem, it’s the solution.
So procrastinate now, don’t put it off”
Viu só? A culpa é da Ellen.
Na verdade, é minha. Eu comecei 2009 prometendo fazer um TCC de chutar bundas. E a única bunda chutada até o momento é a minha.
E lá se foi a primeira metade do trabalho. De forma bem vergonhosa, tenho que dizer. Deus sabe que eu parei de baixar filmes, de ver séries (ok, novas temporadas de House, TBBT, Lie to Me e Lost estreiam só no final do ano), de ler livros que não fossem totalmente focados no trabalho, de beber e de twittar. Tá, os dois últimos serviram pra fazer volume. São mentiras deslavadas. Desculpa aí.
Há tempos eu quero escrever sobre os últimos tempos. Mas sou sempre tão dramática, que eu me deprimo comigo mesma e saio correndo do blog o mais rápido possível. Sem falar que ou estou trabalhando, ou escrevendo o TCC, ou dormindo sobre o TCC, ou babando sobre um livro pro TCC, ou tentando me virar como posso nas outras cadeiras que ainda faltam na Unisinos, enfim, quando me sobra tempo (quando??) não é usado no blog.
E alguns assuntos que deveriam ter sido tratados, provavelmente porque foram os únicos mais emocionantes, foram sumariamente ignorados pelas razões acima. Como, por exemplo, o show da Ana Carolina: um momento de loucura sapata no qual queimei 100 pilas pra ver uma cantora que hoje me soa um tanto brega e outro tanto chata pra caralho. Ainda gosto de uns sambinhas interpretados por ela, mas são poucos, de modo que a vergonha prevalece. Sem falar que imaginei o paraíso sapatístico e estava ilhada por homens grandes e gordos e barbudos com suas respectivas namoradas e tudo o que eu queria era mandá-los calar a boca e não encostar nem na minha aura, por gentileza.
Logo em seguida (ou foi antes? enfim…), veio o show grátis do Nando Reis no Anfiteatro Pôr do Sol e lembro que vi a LanLan apenas pelo telão. E mesmo assim, passei o show inteiro sorrindo como uma cretina para o maldito telão. Não cheguei nem perto, mas fui embora feliz.
Aí foi a vez de ir ao show da Moinho e, mesmo sendo o meu preferido à época - e talvez justamente por isso - sofri como o diabo. Exatamente como no show de Conor Oberst, do Oasis, ou de qualquer outra banda da adolescência. Primeiro porque fui sozinha (uma colega de trabalho ia comigo, mas teria sido pior, eu acho, uma vez que ela é hétero e não ia entender minha cara de depressão pós-LanLan). Segundo porque nada deu certo (e por nada, digo nada mesmo. Até a bebida que, na minha cabeça, seria liberada, era cobrada e bem cara.
Sem poder me anestesiar, fiquei sentada no local que era não palco-platéia mas mesas de bar e palquinho. Eu queria morrer. Não apenas pelos casais dançantes a minha volta, mas porque me vendi pro sistema e fui de saia. Eu odeio saia mais que tudo. Mais do que a ditadura chinesa. E vesti isto pra não parecer too-weirdo.
Oito sapatas foi o que consegui identificar. Estávamos grudadas na primeira fila, entre percussão e vocalista, gritando vergonhosamente (sim, eu tenho vergonha). Assim como no show do Conor, e de todas as bandas adolescentes, tenho certeza absoluta que houve troquinha de olhares, o que é tão infantil quanto deve soar para quem lê este blog (quem?). Ao final do show, eu já estava certa de que ela ia me pedir em casamento e me levar pra Lapa e me ensinar a tocar pandeiro e cantar Sorriso do Lagarto forévah.
Rá /sarcasm. Terminou o show. Eu e as oito sapas ficamos ali esperando um oi, uma foto e, no meu caso, a aliança de noivado. Não aconteceu nada. A produtora cachorra nos enganou dizendo que ela, (ela = Lanlan, não ela = produtora, bobinhos) sentia muito mas que deveria voltar correndo para o Rio, de forma que nada de autógrafos.
Com tal informação, e com uma gatzinha que não se vendeu pro sistema (cabelo azul, calça xadrex, pseudo-moicano e disco original de Lanlan e os Elaines) gastei minha volta pra casa indo até o aeroporto. O táxi era grátis pra qualquer idiota da festa, prq afinal beberiam como terneiros bêbados.
Não encontramos ninguém no aeroporto. A gatzinha nem me deu confiança e foi embora menos de meia hora depois. Fiquei lá até às seis da manhã, quando os trens voltavam a circular e eu poderia voltar pra casa em segurança, e sem gastar muito (ai, jura).
Mais tarde, eu soube que a banda continuou no backstage, cheia de amor pra dar, bebendo e confraternizando. E eu, congelando de frio, com a maldita saia, e sem ter como dormir, já que as poltronas do aeroporto são tão confortáveis quanto um banco de igreja. Fui embora sem poder ouvir Moinho por um bom tempo. Exatamente (e eu sei que já disse isso duas vezes) como aconteceu com Conor e Oasis e os teenagers.
De lá (25 de abril, dois dias após meu aniversário, baita presente ¬¬) pra cá (junho, pouco antes do dia dos cretinos-namorados) pouco aconteceu.
Pra ser sincera, nada aconteceu. Apenas TCC, trabalho (aumento, yay!), trem (greve, caralho), unisinos (não aguento aquele lugar e aquela gente), trem de novo, casa (lame reality shows da tevê brasileira) e casa dos pais nos finais de semana, com eventuais bebedeiras com a Duda que hoje virou minha melhor conhecida. E eu, sua melhor ouvinte, posso apostar.
Com bebedeiras e completa falta de vergonha na cara e na barriga, engordei tanto, mas tanto, que tenho vontade de me matar. Mas esta é minha carta na manga pra o caso de rodar no TCC, então não posso usar antes.
É engraçado. Quando eu era triste e assexuada e colecionadora de modelos e viciada em alface e academia, eu pesava 58-60kg. Pergunte quanto eu peso hoje, feliz na medida em que se pode ser nesta casa, viciada em qualquer coisa que seja de comer e sem pisar em uma academia desde fevereiro. Dez quilos a mais. É. Engraçado my ass.
Claro, uma parte de mim ainda acha que é melhor ser magra e miserável. No entanto, a parte gorda-safada utiliza seu approach de bullying kid e manda a parte calar a boca sob pena de apanhar .
E a vida segue. Não sem eu ficar muito puta com isso.
Aí você diz que é lésbica e imediatamente os homens pensam que:
a) é só chamar uma amiga e está feita a festa (se você for bonita)
b) você é um ser desprezível, promíscuo e aidético (se você não for bonita para os padrões deles, ou se for butch)
Isso me enoja.
Quando eu entrevisto os caras da TI, por exemplo, não fico pensando na vida deles fora da empresa. Não teria sentido me preocupar com seu desempenho sexual, não é? Enquanto estou perguntando sobre as expectativas para o próximo ano, não estou interessada no que há no meio das pernas dos senhores e rapazinhos nerds.
Mas se você para pra pensar, aquele executivo chega em casa e faz sexo. Seja com a secretária, com a boneca inflável ou com a esposa, ele faz coisas mais ou menos hard core com mulheres mais ou menos feias.
E você pensa nisso? Pensa nisso quando se reúne com ele pra discutir os cortes da empresa? Pensa nisso quando ele te dá um aumento? I dont think so.
E o mesmo se aplica a colegas de trabalho, de faculdade, de poker. Você até pode medir pra saber quem tem o pau maior, mas no fim das contas, o que ele faz com a mulher não é da sua conta. Não faz parte das dúvidas do seu dia.
Então, por que diabos, ao saber que uma garota da sua convivência é lésbica, tudo o que te importa é o que ela faz em seu maldito quarto?
É por essas e outras que cada vez mais o manifesto da Valerie Solanas faz sentido pra mim:
Life in this society being, at best, an utter bore and no aspect of society being at all relevant to women, there remains to civic-minded, responsible, thrill-seeking females only to overthrow the government, eliminate the money system, institute complete automation and destroy the male sex.
Como narrar ou descrever algo interessante quando sua vida pode ser descrita como um marasmo imensurável? Muito simples. Criando fatos. Perceba, leitor, que “criar um fato” não é, de forma alguma, semelhante a “inventar um fato”. É por isso que na primeira segunda-feira de abril, para tornar as coisas mais interessantes, decidi que deveria matar aula e colocar um piercing.
Acontece que não faço parte de nenhuma tribo cujo costume é colecionar tatuagens ou aplicar jóias pelo corpo - de modo que não havia nenhuma indicação de estúdio ou conselhos de quem já experimentou na pele o que é perfurar o próprio corpo.
Sem grandes alternativas, fiz uma espécie de roleta russa em um site de classificados, escolhendo aquele estúdio que me parecia mais confiável, próximo e barato – nesta ordem. Encontrei um. No Orkut, o estúdio contava com mais de 500 amigos e nenhuma reclamação. Fotos bonitas, cadastro no Sindicato dos Estúdios de Tatuagem e Body Piercing do Brasil e Alvará de Saúde também influenciaram na escolha.
Pela manhã, cometi o pecado capital da curiosidade (não existe, mas deveria) e espiei no YouTube como é feita a colocação de piercings na sobrancelha. Lembrei do velho Jack Bauer, de Sayid Jarrah e de todos os torturadores da cultura pop, mas não desisti. Liguei e agendei para o mesmo dia.
As horas no trabalho passaram esquisitas. Conversas no Twitter não ajudavam muito.
-Meu amigo fez e doeu muito. Até inflamou, declarou um.
-Dói nada, garantiu o segundo.
-Depois desse, tu vai querer outros, vai fundo, encorajou o terceiro.
Quando o relógio marcou 17h53, saí na velocidade máxima que meus pés conseguiam alcançar e atravessei a Cidade Baixa em direção ao Centro da cidade. Dez minutos antes da hora marcada, cheguei a um prédio magrinho na Rua dos Andradas. Apenas uma escadaria mal iluminada e uma plaquinha onde se podia ler “Tatoo & piercing – 4º andar”.
Respirei fundo e entrei no elevador – cujo design era apropriado ao prédio, ou seja, também minúsculo. Ao sair da caixinha, pude ouvir risadas altas. Muito altas. E, atrás das gargalhadas, o som cortante da máquina de tatuar. Nada de campainha, porta trancada com grade. Mais risadas. Bati na porta e tanto as gargalhadas quanto o barulho da máquina seguiram seu caminho de decibéis.
Descobri que o interruptor estava próximo e usei para apagar a luz. Isto deveria chamar a atenção deles, certo? Não chamou. Quase considerando tudo isso como sinais de alguém lá em cima (ou embaixo), pensei em ir embora. Na mesma hora, surgiu uma das garotas sorridentes.
Abriu a porta, perguntou o que seria, respondi. Me olhou e perguntou minha idade (estou a duas semanas de fazer 24). Disse 21. Espantada com minha própria mentira inconsciente, tentei corrigir.
-Não, tenho 22! Meu deus, desculpa, tenho 23. Não sei porque disse isso.
-Sem problemas, só tenho que ver tua identidade porque tu parece novinha – disse desconfiada.
“Novinha e portadora de doença mental”, pensei sem dizer nada.
Me deixou sozinha na sala pequena decorada apenas com um computador, três cadeiras, bandeiras de cartões variados e álbuns de tatuagens. As mulheres risonhas, cinco, continuavam por lá. Rindo, obviamente. Porém na saleta ao lado.
A garota voltou, e após cobrar os 40 reais da aplicação (incluindo a “jóia”), chamou o profissional que, segundo o classificado, “possui curso de biossegurança, com o objetivo de garantir segurança para a saúde do cliente”.
Fui levada até uma outra saleta, na porta ao lado das risonhas. A sala, toda branca, também não poderia ser julgada por excesso de decoração. Uma maca, um espelho e uma mesinha com tintas e máquinas nada amigáveis. Após as instruções de praxe, o tatuador perguntou se eu tinha alguma dúvida. Eu tinha.
-Vai doer muito?
-Imagina, é super rápido - disse um homem de uns 30 anos, cujas partes visíveis (braços e pescoço) eram completamente tatuadas. Nas orelhas, alargadores em estágio avançado, cerca de 10 centímetros. E piercings, obviamente.
Talvez em uma última tentativa desesperada de desistir, perguntei se havia algum problema pelo fato de usar lentes de contato. Não havia.
A coisa dolorida não durou três minutos. Uma pinça segura a pele. Um cateter penetra a região da sobrancelha de baixo para a cima e esta é a Primeira Pior Parte, afinal trata-se de uma agulha atravessando bons dois centímetros do rosto.
Chega a hora da Segunda Pior Parte. O cateter segue pendurado em seu rosto e o piercing passa por ali. Felizmente não sangrou. Por questões de orgulho e fidelidade jornalística, não quis fechar os olhos, porém o processo revoltou o estômago.
Passado o pior momento, era hora de fechar o piercing e ver no espelho como ficou.
Em alguma outra galáxia, lembro de olhar sem ver e de ir embora tentando não fazer drama. No elevador, contemplo a novidade rapidamente mas, talvez pela adrenalina contida, talvez pelo medo que apareceu tardiamente, só quero sair dali. Percebo que estou tremendo.
A dor foi rápida, como uma injeção porém mais demorada. Quero um refrigerante ou um cigarro. Encontro apenas um Mcdonalds e compro um sorvete. Quase vomitando, sento na vitrine de uma loja que já fechou suas portas. São 19 horas, em Brasília e em minha sobrancelha latejante.
Seguro o sorvete, mas não consigo comer. A tremedeira ainda não passou, mas quero mandar uma mensagem de vitória para os 600 seguidores do Twitter. Não consigo.
Tento entender o que está acontecendo, mas também não consigo.
Em três minutos, o mal estar passa. Resta apenas a sensação de dever cumprido. Jogo o sorvete fora e acendo um cigarro. Em silêncio, rezo para que minha vida torne-se mais interessante até o próximo texto, porque não pretendo repetir a experiência de cobaia de mim mesma tão cedo.
Texto escrito pra Unisinos. Desculpa o gigantismo
No domingo, 22, teve show grátis em Porto Alegre. Apesar de ser pobre como o diabo, odeio show grátis porque sempre tem o público errado, na hora errada.
Mas era show do Nando Reis e eu simpatizo com ele desde que o vi na Unisinos falando da Cássia Eller, emocionadíssimo.
Cheguei lá com pouca expectativa, mas logo que a banda chegou, morri: Lan Lan, em carne, osso e gostosura, estava no telão. (Porque até este momento, eu não estava nada interessada em ficar em pé, vendo o show.)
Eu não lembro há quantos anos não a via (desde que a Cássia morreu, muito provavelmente) e nem sei como lembrei tão rapidamente quem era, mas fiquei feliz com o show, que desse momento em diante não era mais do Nando Reis.
Assim que cheguei em casa, quis saber tudo sobre ela. Descobri que lançou um disco maravilhoso com a banda Lan Lan e os Elaines. Não consigo parar de ouvir.
Descobri também que hoje faz parte de uma banda chamada Moinho, cuja vocalista era da Banda Eva. Som ‘made in João Alfredo’, saca?
Só por estes dois detalhes, meu eu-normal deveria sair correndo na direção oposta ao rádio. Aconteceu o contrário. Gostei e gostei bastante.
Tanto que quero aprender a tocar pandeiro. Tanto que é a única coisa que apareceu no meu LastFM na última semana. E no YouTube. Vejam os vídeos e digam se não é a coisa mais linda e apaixonante (e boa de ouvir. não gosto da banda só porque conta com minha nova musa, ouquei?)
Eu mudei mais uma vez. Lidem com isso.
E, sim, cedo ou tarde, vou pra João Alfredo. É só abrir um bar lés :)
Duas frases estacionaram na minha mente nos últimos dois dias. A primeira, foi dita por uma professora:
“Se vocês não gostassem de gente, de histórias, de ouvir o outro, não estariam no sétimo semestre de jornalismo. Estariam na informática ou em alguma destas profissões das Exatas”
A segunda, li no Twitter de uma colega de Unisinos e companheira de dietas malucas:
“É tarde para eu perceber que não gosto de escrever?”
Eu já formulei frase semelhante diversas vezes mas nunca tive coragem de dizer em voz alta, ou de publicar na web, whatever.
Às portas do TCC, eu sei/percebo/descubro/confesso: eu não gosto de gente. Pelo menos não da grande maioria que conheci nestes anos no planeta.
Eu gosto de escrever e gosto de informações, principalmente quando se trata de assuntos nerds. Mas não sei se gosto suficientemente da humanidade para seguir nessa carreira.
Eu vejo colegas altruístas, discutindo pautas e comentando que esta profissão deveria fazer de tudo para melhorar a comunidade em que está inserida enquanto eu só gostaria de ser ajudada. Não tenho condições de mudar o mundo quando não consigo nem mesmo mudar de casa (completarei um ano nesta cidade e neste inferno, dia 23 de março e o que consegui até agora? um nada retumbante).
Mas ainda resta uma pequena esperança. Pequena mesmo.
Sábado passado, saí com uma turma de redação experimental para uma vila bem pobre de são leopoldo. Conversei com uma mãe de santo, perguntei sobre suicídio e coisas da vida da mulher. Achei legal. Não morri de ansiedade, não sofri qualquer ataque fóbico nem nada do tipo.
Deve ser um passo na escala evolutiva, né? Ano passado eu não teria feito isso nem sob ameaça de morte.
Então, pode ser só fase. E eu espero que este seja o diagóstico.
Hoje é o primeiro dia da dieta do leite. Espero, de verdade, chegar até o sétimo dia. Os primeiros cinco serão “fáceis” porque escolhi a semana em que o site está fazendo recesso de carnaval. E vou ficar sozinha em casa no período. Mas não é o assunto de hoje.
Tenho que falar de um troço que tá tirando meu sono: religião, ou a falta dela.
Desde que me conheço por gente, tenho a mania de ser do contra. No primário, fingia ouvir Sepultura enquanto as gurias brincavam de casar Ken & Barbie. Depois fui punk, pseudo-niilista, rebelde de carteirinha e todas aquelas barbaridades elaboradas especialmente para deixar família e sociedade chocadas.
Em uma época, até experimentei umas religiões Do Contra, como wicca, umbanda e bahái (essa por dois sábados, apenas).
Mas nunca, nunquinha, pude - como dizem as boas avós de novela - me segurar em um santo, ou em Deus. Sim, a coisa já ficou feia e já tentei adicionar uma fé instantânea à água quente, rezando fervorosamente pra fugir de um problema. Não deu certo. Ou porque deus não existe. Ou porque existe e é caprichoso (“rá, não acredita em mim mas vem pedir penico, é. piss off, kiddo”).
Eu tenho uma coisa com o suicídio. Como um barulho que aparece na cozinha, no meio da noite, não sei o que é mais sei que tá ali. À princípio, eu achava que era influência de artistas, vontade de chamar atenção ou tristeza adolescente. Hoje estou velha, acho que artistas são os últimos suicidáveis e nem tenho coragem de falar com alguém sobre isso. Os motivos, acho que deu para perceber, caíram por terra. Não sei o que é. É uma coisa.
Todos os dias, recebo um e-mail de um serviço chamado Google Alerts. Você escolhe um assunto e o buscador compila as notícias e posts publicados sobre o tal assunto, naquele dia. Às vezes aparece algum caso meio bizarro e eu comento. Aí surge o seguinte diálogo:
-Mas como é que tu soube disso?
-Ah, eu recebo um alerta do google, sobre suicídios
-Mas por quê? Por que alguém se interessa por isso?
-Ah, sei lá
-hmm… (olhar de desconfiança)
Não tem dia que eu não receba o alerta. Ou seja, o suicídio de pelo menos uma pessoa é noticiado (aposto que o número seria maior se os jornais grandes publicassem esse tipo de coisa, mas o fazem somente se é a morte de alguém muito famoso).
Geralmente é algum índio. Vocês, normais, não fazem idéia do número de índios que tira a própria vida por motivos ínfimos.
Mas, enfim, eu não vou me matar, sabe? Eu quero que minha vida melhore e que todos sejamos felizes para sempre. Se não acontecer, bom, eu não quero me matar. Nào tenho coragem. A idéia de ter meus pais sofrendo até o fim é feia demais pra ser cogitada. Pais não são eternos. Mas mesmo assim, eu pensaria algumas vezes antes de fazer algo. Culpa do kardecismo.
Quando eu tinha uns 13 anos, minha mãe me arrastou pra umas reuniões. E levou pra casa um livro chamado Memórias de um Suicida. O livro é basicamente o lado negro da força, sem os cookies. Como toda boa explicação religiosa, vence pelo medo. E até hoje eu tenho medo dessa mierda de livro.
Pelo que eu lembro da doutrina espírita, se existe vida após a morte, é um saco. Um saco mesmo. Gente chata em tons pastel (isso pra quem morre de morte morrida, como diriam algum jagunço da novela das oito). Nunca ouvi falar de internet, homossexualidade ou bodycombat. Só de violetas e janelas e aulas de como ser legal. Sendo assim, é melhor ficar por aqui mesmo.
Eu ia escrever mais. Mas o post já está gigante. E ainda nem mesmo falei sobre o principal: eu preciso, quero, procuro uma religião. Que seja razoável. Que tenha pelo menos uma dúzia de explicações coerentes sobre a vida, o universo e tudo mais. Que não peça pra acreditar em tudo sem duvidar de nada. E que não tenha dízimo, porque já tô bem pobre sem ter que sustentar candelabros de ouro do vaticano ou igrejas cujo teto vai despencar, anyway.
I’m completely alone at a table of friends. I feel nothing for them. I feel nothing. Nothing.
Mesas de bar não são pra mim. Bancos de igreja não são pra mim. Frente da câmera não é pra mim. Bastidores culturais não são pra mim.
Eu tenho 23 anos (leia-se não sou mais criança indecisa) e não sei o que fazer.
Sei apenas que estou gorda como uma orca e triste como um emo que perdeu o último delineador preto do mundo.
Infelizmente passei os últimos vários anos em uma cápsula, evitando seres humanos, passeios, comidas e qualquer coisa que ameaçasse remotamente minha segurança.
Se eu tivesse vivido como uma pessoa normal, talvez teria ultrapassado etapas muito chatas da vida. E, creia, elas são muito mais chatas quando se está na vida “adulta”. E quando as pessoas pensam que já te conhecem. E nem você mesma se conhece (afinal muda de opinião a cada três milésimos de segundo).
*
Comofas nos dias de hoje? Você anula todas as características potencialmente perigosas para tornar-se uma profissional bem-sucedida?
Eu tenho o costume de procurar informações de pessoas na internet, sabe?. Tenho mesmo. Colegas, pseudas, parentes, inimigos. Eu adoro saber o que estão fazendo, pensando, tramando. Mesmo desconhecidos me interessam. Quando estávamos conferindo os currículos dos novos estagiários, minha primeira parada foi no Orkut -só pra dar um exemplo.
Um gordinho fã de Leandro&Leonardo, leitor de Dan Brown e colecionador de filmes pornôs pode ser uma boa pessoa. Mas eu não vou apostar um cent nisto. Do mesmo modo, alguém pode dizer o currículo de uma pseudo-anoréxica, nerd, anti-social e gay pode ir praquele lugar de nome feio. Vai saber?
Mas eu estou há 12 anos na internet. Já não consigo simplesmente auto-censurar blog, twitter, orkut, buzznet e whatever. Eu não vou escrever os meus problemas num diário de papel e minhas “conquistas” na web. É hipócrita. E para isso tem o LinkedIn.
*
Eu conheço um cara desta espécie hipócrita. Chato como o diabo, fala apenas em termos malandros pra mostrar o quanto domina a internet. E fala apenas de internet, nada mais. Cara, redes sociais são sobre pessoas. Pessoas nao são perfeitas. Têm problemas, contas a pagar, brigas com os filhos. Em casa, não falam emocionados sobre a porra do RFID. Tiram os sapatos e vão cuidar da vida.
É por isso que um tweet geralmente é interessante. (Quando é uma rede de pessoas e não de agregadores de feeds, que fique claro.) Falar que se está puto com alguma coisa gera uma resposta, um reconhecimento ou mesmo um esclarecimento de que aquele contato não será mais do que um enviador de releases. Eternamente.
Já pensou se os tweets fossem lidos por atendentes de telemarketing? “Senhora, entendemos seu problema e estaremos transferindo para outro departamento igualmente surdo e inútil. por favor, aguarde na linha”’.
Desculpa se eu não tenho um ombro (no caso orelha) disponível para chorar as mágoas e raivinhas. Meu Twitter nào é sobre a Pollyana Moça, seu trabalho perfeito, seus cachinhos dourados e seu namorado surfista. É sobre uma guria que podia estar roubando, matando, mas tá estudando e trabalhando pra poder se manter numa cidade um pouco menos retrógrada que o local onde vivia.
*
E, se essa guria, vez ou outra descobre aspectos da personalidade que sempre estiveram ali, mas foram muio discretos para se manifestarem externamente, ela vai falar. E, oi, apesar de tudo, ela pode ser legal, saca?
E não dá a mínima para os preconceituosos bagaceiros e mentirosos. O mesmo com o blog, o orkut e o escambau. Vai escrever o que achar que deve escrever.
*
Eu sou tão perfeita quanto qualquer um de vocês, trouxas (não vocês, poucas almas queridas que lêem oblog. Eles, os preconceituosos, bagaceiros e mentirosos ;)
*
A versão dyke de Reservoir Dogs é quase tão boa quanto a original.
(via icanread)