June 8, 2009
Pergunte-me como. Como, cáspita?
“Procrastination isn’t the problem, it’s the solution.
So procrastinate now, don’t put it off”
Viu só? A culpa é da Ellen.
Na verdade, é minha. Eu comecei 2009 prometendo fazer um TCC de chutar bundas. E a única bunda chutada até o momento é a minha.
E lá se foi a primeira metade do trabalho. De forma bem vergonhosa, tenho que dizer. Deus sabe que eu parei de baixar filmes, de ver séries (ok, novas temporadas de House, TBBT, Lie to Me e Lost estreiam só no final do ano), de ler livros que não fossem totalmente focados no trabalho, de beber e de twittar. Tá, os dois últimos serviram pra fazer volume. São mentiras deslavadas. Desculpa aí.
Há tempos eu quero escrever sobre os últimos tempos. Mas sou sempre tão dramática, que eu me deprimo comigo mesma e saio correndo do blog o mais rápido possível. Sem falar que ou estou trabalhando, ou escrevendo o TCC, ou dormindo sobre o TCC, ou babando sobre um livro pro TCC, ou tentando me virar como posso nas outras cadeiras que ainda faltam na Unisinos, enfim, quando me sobra tempo (quando??) não é usado no blog.
E alguns assuntos que deveriam ter sido tratados, provavelmente porque foram os únicos mais emocionantes, foram sumariamente ignorados pelas razões acima. Como, por exemplo, o show da Ana Carolina: um momento de loucura sapata no qual queimei 100 pilas pra ver uma cantora que hoje me soa um tanto brega e outro tanto chata pra caralho. Ainda gosto de uns sambinhas interpretados por ela, mas são poucos, de modo que a vergonha prevalece. Sem falar que imaginei o paraíso sapatístico e estava ilhada por homens grandes e gordos e barbudos com suas respectivas namoradas e tudo o que eu queria era mandá-los calar a boca e não encostar nem na minha aura, por gentileza.
Logo em seguida (ou foi antes? enfim…), veio o show grátis do Nando Reis no Anfiteatro Pôr do Sol e lembro que vi a LanLan apenas pelo telão. E mesmo assim, passei o show inteiro sorrindo como uma cretina para o maldito telão. Não cheguei nem perto, mas fui embora feliz.
Aí foi a vez de ir ao show da Moinho e, mesmo sendo o meu preferido à época - e talvez justamente por isso - sofri como o diabo. Exatamente como no show de Conor Oberst, do Oasis, ou de qualquer outra banda da adolescência. Primeiro porque fui sozinha (uma colega de trabalho ia comigo, mas teria sido pior, eu acho, uma vez que ela é hétero e não ia entender minha cara de depressão pós-LanLan). Segundo porque nada deu certo (e por nada, digo nada mesmo. Até a bebida que, na minha cabeça, seria liberada, era cobrada e bem cara.
Sem poder me anestesiar, fiquei sentada no local que era não palco-platéia mas mesas de bar e palquinho. Eu queria morrer. Não apenas pelos casais dançantes a minha volta, mas porque me vendi pro sistema e fui de saia. Eu odeio saia mais que tudo. Mais do que a ditadura chinesa. E vesti isto pra não parecer too-weirdo.
Oito sapatas foi o que consegui identificar. Estávamos grudadas na primeira fila, entre percussão e vocalista, gritando vergonhosamente (sim, eu tenho vergonha). Assim como no show do Conor, e de todas as bandas adolescentes, tenho certeza absoluta que houve troquinha de olhares, o que é tão infantil quanto deve soar para quem lê este blog (quem?). Ao final do show, eu já estava certa de que ela ia me pedir em casamento e me levar pra Lapa e me ensinar a tocar pandeiro e cantar Sorriso do Lagarto forévah.
Rá /sarcasm. Terminou o show. Eu e as oito sapas ficamos ali esperando um oi, uma foto e, no meu caso, a aliança de noivado. Não aconteceu nada. A produtora cachorra nos enganou dizendo que ela, (ela = Lanlan, não ela = produtora, bobinhos) sentia muito mas que deveria voltar correndo para o Rio, de forma que nada de autógrafos.
Com tal informação, e com uma gatzinha que não se vendeu pro sistema (cabelo azul, calça xadrex, pseudo-moicano e disco original de Lanlan e os Elaines) gastei minha volta pra casa indo até o aeroporto. O táxi era grátis pra qualquer idiota da festa, prq afinal beberiam como terneiros bêbados.
Não encontramos ninguém no aeroporto. A gatzinha nem me deu confiança e foi embora menos de meia hora depois. Fiquei lá até às seis da manhã, quando os trens voltavam a circular e eu poderia voltar pra casa em segurança, e sem gastar muito (ai, jura).
Mais tarde, eu soube que a banda continuou no backstage, cheia de amor pra dar, bebendo e confraternizando. E eu, congelando de frio, com a maldita saia, e sem ter como dormir, já que as poltronas do aeroporto são tão confortáveis quanto um banco de igreja. Fui embora sem poder ouvir Moinho por um bom tempo. Exatamente (e eu sei que já disse isso duas vezes) como aconteceu com Conor e Oasis e os teenagers.
De lá (25 de abril, dois dias após meu aniversário, baita presente ¬¬) pra cá (junho, pouco antes do dia dos cretinos-namorados) pouco aconteceu.
Pra ser sincera, nada aconteceu. Apenas TCC, trabalho (aumento, yay!), trem (greve, caralho), unisinos (não aguento aquele lugar e aquela gente), trem de novo, casa (lame reality shows da tevê brasileira) e casa dos pais nos finais de semana, com eventuais bebedeiras com a Duda que hoje virou minha melhor conhecida. E eu, sua melhor ouvinte, posso apostar.
Com bebedeiras e completa falta de vergonha na cara e na barriga, engordei tanto, mas tanto, que tenho vontade de me matar. Mas esta é minha carta na manga pra o caso de rodar no TCC, então não posso usar antes.
É engraçado. Quando eu era triste e assexuada e colecionadora de modelos e viciada em alface e academia, eu pesava 58-60kg. Pergunte quanto eu peso hoje, feliz na medida em que se pode ser nesta casa, viciada em qualquer coisa que seja de comer e sem pisar em uma academia desde fevereiro. Dez quilos a mais. É. Engraçado my ass.
Claro, uma parte de mim ainda acha que é melhor ser magra e miserável. No entanto, a parte gorda-safada utiliza seu approach de bullying kid e manda a parte calar a boca sob pena de apanhar .
E a vida segue. Não sem eu ficar muito puta com isso.
April 21, 2009
Sair do armário é um cu. Ficar no armário é pior.
Aí você diz que é lésbica e imediatamente os homens pensam que:
a) é só chamar uma amiga e está feita a festa (se você for bonita)
b) você é um ser desprezível, promíscuo e aidético (se você não for bonita para os padrões deles, ou se for butch)
Isso me enoja.
Quando eu entrevisto os caras da TI, por exemplo, não fico pensando na vida deles fora da empresa. Não teria sentido me preocupar com seu desempenho sexual, não é? Enquanto estou perguntando sobre as expectativas para o próximo ano, não estou interessada no que há no meio das pernas dos senhores e rapazinhos nerds.
Mas se você para pra pensar, aquele executivo chega em casa e faz sexo. Seja com a secretária, com a boneca inflável ou com a esposa, ele faz coisas mais ou menos hard core com mulheres mais ou menos feias.
E você pensa nisso? Pensa nisso quando se reúne com ele pra discutir os cortes da empresa? Pensa nisso quando ele te dá um aumento? I dont think so.
E o mesmo se aplica a colegas de trabalho, de faculdade, de poker. Você até pode medir pra saber quem tem o pau maior, mas no fim das contas, o que ele faz com a mulher não é da sua conta. Não faz parte das dúvidas do seu dia.
Então, por que diabos, ao saber que uma garota da sua convivência é lésbica, tudo o que te importa é o que ela faz em seu maldito quarto?
É por essas e outras que cada vez mais o manifesto da Valerie Solanas faz sentido pra mim:
Life in this society being, at best, an utter bore and no aspect of society being at all relevant to women, there remains to civic-minded, responsible, thrill-seeking females only to overthrow the government, eliminate the money system, institute complete automation and destroy the male sex.
April 6, 2009
Cobaia do meu próprio experimento
Como narrar ou descrever algo interessante quando sua vida pode ser descrita como um marasmo imensurável? Muito simples. Criando fatos. Perceba, leitor, que “criar um fato” não é, de forma alguma, semelhante a “inventar um fato”. É por isso que na primeira segunda-feira de abril, para tornar as coisas mais interessantes, decidi que deveria matar aula e colocar um piercing.
Acontece que não faço parte de nenhuma tribo cujo costume é colecionar tatuagens ou aplicar jóias pelo corpo - de modo que não havia nenhuma indicação de estúdio ou conselhos de quem já experimentou na pele o que é perfurar o próprio corpo.
Sem grandes alternativas, fiz uma espécie de roleta russa em um site de classificados, escolhendo aquele estúdio que me parecia mais confiável, próximo e barato – nesta ordem. Encontrei um. No Orkut, o estúdio contava com mais de 500 amigos e nenhuma reclamação. Fotos bonitas, cadastro no Sindicato dos Estúdios de Tatuagem e Body Piercing do Brasil e Alvará de Saúde também influenciaram na escolha.
Pela manhã, cometi o pecado capital da curiosidade (não existe, mas deveria) e espiei no YouTube como é feita a colocação de piercings na sobrancelha. Lembrei do velho Jack Bauer, de Sayid Jarrah e de todos os torturadores da cultura pop, mas não desisti. Liguei e agendei para o mesmo dia.
As horas no trabalho passaram esquisitas. Conversas no Twitter não ajudavam muito.
-Meu amigo fez e doeu muito. Até inflamou, declarou um.
-Dói nada, garantiu o segundo.
-Depois desse, tu vai querer outros, vai fundo, encorajou o terceiro.
Quando o relógio marcou 17h53, saí na velocidade máxima que meus pés conseguiam alcançar e atravessei a Cidade Baixa em direção ao Centro da cidade. Dez minutos antes da hora marcada, cheguei a um prédio magrinho na Rua dos Andradas. Apenas uma escadaria mal iluminada e uma plaquinha onde se podia ler “Tatoo & piercing – 4º andar”.
Respirei fundo e entrei no elevador – cujo design era apropriado ao prédio, ou seja, também minúsculo. Ao sair da caixinha, pude ouvir risadas altas. Muito altas. E, atrás das gargalhadas, o som cortante da máquina de tatuar. Nada de campainha, porta trancada com grade. Mais risadas. Bati na porta e tanto as gargalhadas quanto o barulho da máquina seguiram seu caminho de decibéis.
Descobri que o interruptor estava próximo e usei para apagar a luz. Isto deveria chamar a atenção deles, certo? Não chamou. Quase considerando tudo isso como sinais de alguém lá em cima (ou embaixo), pensei em ir embora. Na mesma hora, surgiu uma das garotas sorridentes.
Abriu a porta, perguntou o que seria, respondi. Me olhou e perguntou minha idade (estou a duas semanas de fazer 24). Disse 21. Espantada com minha própria mentira inconsciente, tentei corrigir.
-Não, tenho 22! Meu deus, desculpa, tenho 23. Não sei porque disse isso.
-Sem problemas, só tenho que ver tua identidade porque tu parece novinha – disse desconfiada.
“Novinha e portadora de doença mental”, pensei sem dizer nada.
Me deixou sozinha na sala pequena decorada apenas com um computador, três cadeiras, bandeiras de cartões variados e álbuns de tatuagens. As mulheres risonhas, cinco, continuavam por lá. Rindo, obviamente. Porém na saleta ao lado.
A garota voltou, e após cobrar os 40 reais da aplicação (incluindo a “jóia”), chamou o profissional que, segundo o classificado, “possui curso de biossegurança, com o objetivo de garantir segurança para a saúde do cliente”.
Fui levada até uma outra saleta, na porta ao lado das risonhas. A sala, toda branca, também não poderia ser julgada por excesso de decoração. Uma maca, um espelho e uma mesinha com tintas e máquinas nada amigáveis. Após as instruções de praxe, o tatuador perguntou se eu tinha alguma dúvida. Eu tinha.
-Vai doer muito?
-Imagina, é super rápido - disse um homem de uns 30 anos, cujas partes visíveis (braços e pescoço) eram completamente tatuadas. Nas orelhas, alargadores em estágio avançado, cerca de 10 centímetros. E piercings, obviamente.
Talvez em uma última tentativa desesperada de desistir, perguntei se havia algum problema pelo fato de usar lentes de contato. Não havia.
A coisa dolorida não durou três minutos. Uma pinça segura a pele. Um cateter penetra a região da sobrancelha de baixo para a cima e esta é a Primeira Pior Parte, afinal trata-se de uma agulha atravessando bons dois centímetros do rosto.
Chega a hora da Segunda Pior Parte. O cateter segue pendurado em seu rosto e o piercing passa por ali. Felizmente não sangrou. Por questões de orgulho e fidelidade jornalística, não quis fechar os olhos, porém o processo revoltou o estômago.
Passado o pior momento, era hora de fechar o piercing e ver no espelho como ficou.
Em alguma outra galáxia, lembro de olhar sem ver e de ir embora tentando não fazer drama. No elevador, contemplo a novidade rapidamente mas, talvez pela adrenalina contida, talvez pelo medo que apareceu tardiamente, só quero sair dali. Percebo que estou tremendo.
A dor foi rápida, como uma injeção porém mais demorada. Quero um refrigerante ou um cigarro. Encontro apenas um Mcdonalds e compro um sorvete. Quase vomitando, sento na vitrine de uma loja que já fechou suas portas. São 19 horas, em Brasília e em minha sobrancelha latejante.
Seguro o sorvete, mas não consigo comer. A tremedeira ainda não passou, mas quero mandar uma mensagem de vitória para os 600 seguidores do Twitter. Não consigo.
Tento entender o que está acontecendo, mas também não consigo.
Em três minutos, o mal estar passa. Resta apenas a sensação de dever cumprido. Jogo o sorvete fora e acendo um cigarro. Em silêncio, rezo para que minha vida torne-se mais interessante até o próximo texto, porque não pretendo repetir a experiência de cobaia de mim mesma tão cedo.
Texto escrito pra Unisinos. Desculpa o gigantismo
March 30, 2009
....chamando todos os coleguinhas

Se você é gay bem resolvida(o) e ligada (o) em tecnologia, já está no Twitter.
O problema é que o mundo todo está no Twitter e você não sabe como encontrar pessoas que pensam parecido com você? (Assim como é legal seguir pessoas diferentes, é legal seguir pessoas parecidas e fim de papo).
Seus problemas acabaram. Criei um grupo que agrega Twitters gays. Pra fazer parte e conhecer outras pessoas, basta acessar o site e entrar com sua senha do Twitter.
Você pode twittar por ali, mas a idéia básica é criar um banco de dados GLBT. Assim que você entra no grupo, pode conferir o perfil de todos os que já estão lá.
Como o grupo é fechado, tem que ter aprovação. Mas juro que fico online o dia todo, então você não terá que esperar muito ;)
Qualquer dúvida, twitt-me @marcialima
March 25, 2009

No domingo, 22, teve show grátis em Porto Alegre. Apesar de ser pobre como o diabo, odeio show grátis porque sempre tem o público errado, na hora errada.
Mas era show do Nando Reis e eu simpatizo com ele desde que o vi na Unisinos falando da Cássia Eller, emocionadíssimo.
Cheguei lá com pouca expectativa, mas logo que a banda chegou, morri: Lan Lan, em carne, osso e gostosura, estava no telão. (Porque até este momento, eu não estava nada interessada em ficar em pé, vendo o show.)
Eu não lembro há quantos anos não a via (desde que a Cássia morreu, muito provavelmente) e nem sei como lembrei tão rapidamente quem era, mas fiquei feliz com o show, que desse momento em diante não era mais do Nando Reis.
Assim que cheguei em casa, quis saber tudo sobre ela. Descobri que lançou um disco maravilhoso com a banda Lan Lan e os Elaines. Não consigo parar de ouvir.
Descobri também que hoje faz parte de uma banda chamada Moinho, cuja vocalista era da Banda Eva. Som ‘made in João Alfredo’, saca?
Só por estes dois detalhes, meu eu-normal deveria sair correndo na direção oposta ao rádio. Aconteceu o contrário. Gostei e gostei bastante.
Tanto que quero aprender a tocar pandeiro. Tanto que é a única coisa que apareceu no meu LastFM na última semana. E no YouTube. Vejam os vídeos e digam se não é a coisa mais linda e apaixonante (e boa de ouvir. não gosto da banda só porque conta com minha nova musa, ouquei?)
Eu mudei mais uma vez. Lidem com isso.
E, sim, cedo ou tarde, vou pra João Alfredo. É só abrir um bar lés :)