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umbiguismo, saca?

Ponho a mão no fogo

31 January 09

pagando pau, bial

“sabe aquele cara que você admira por ter idéias simples e brilhantes? não parece, de modo algum, pedante ou auto-suficiente. ao contrário, está mais próximo de ser o irmão mais velho que decifra alguns dos mistérios mais complicados do mundo”

A frase acima não é minha. Mas deveria. A frase acima é do meu orientador, um cara que eu admiro desde 2005/01 por ter idéias simples e brilhantes e que não parece, de modo algum, pedante. Ele é, sim, um misto de House com Cal Leightman (da nova série Lie To Me), mas por ser competente daquela forma que te inspira a tentar ser ao menos um pouco como ele. Pois bem, como eu disse ele é meu orientador e isso parece positivo, né? Professor que motiva mais TCC deveria ser igual a genialidade no papel. Acontece que eu tenho pavor dele.

Ao longo dos anos, fui erguendo um pedestal e ele ficou cada vez mais lá em cima. E eu, com minha mediocridade crescente, fui cada vez mais para baixo. Agora o TCC está aí e tenho medo de fazer coisas estúpidas. Medo mesmo. Daquele que te impede de conversar com a pessoa em qualquer forma não-virtual. Dia desses, tive que entrevistá-lo pro site onde trabalho. Era pra ter ligado, mas desisti. Falamos pelo GTalk. Para conversar sobre o trabalho, ele sugeriu um almoço. Obviamente, o almoço em si já seria aterrorizante se eu fosse sozinha. Mas conversar com o orientador durante um almoço, me pareceu pior que passar 1 semana em Guantanamo. Recusei. Felizmente ele sabe, por cima, dos meus TAs. E também sabe da fobia social (inclusive disse que tenho perfil de sociopata).

* * Esclarecimento breve * *

As poucas pessoas que sabem dessa minha idolatria arriscam a teoria ah-isso-é-paixonite. Eu fico bem irritada. Uma garota não pode nutrir admiração por um professor sem que o algoritmo sexual seja acionado. O fato de ser bem novo, também levanta suspeitas irritantes. Por isso tenho saído do armário no Twitter. Basicamente, pra deixar claro que meu interesse é exclusivamente acadêmico. Minto. Se eu fosse normal, queria ser amiga dele. Mas é só. Juro. * * Fim do esclarecimento pouco-breve * *

Eu tenho muito medo de ficar abaixo das expectativas do meu orientador. Muito medo. Ele já falou de três ofertas de empregos bem legais e nao tive coragem de me candidatar por medo de não fazer um trabalho fodidamente bom.

Pavor de engordar, pavor de decepcionar, pavor de perder. Isso acontece só comigo, né? =/

Update: para o ciclo de paixoes-em-academia, tem uma guria liiiinda na alternativa. tem várias bonitas, mas essa é ultra-mega-linda apesar de ser baixinha. e é muito magra. coisa mais legal é fazer transport, que fica do ladinho de onde ela fica hehe. mas hoje, lurkeando no orkut, descobri que: 1)é casada. acho que nao oficialmente, mas declara-se casada. 2)com um cara feio demais 3)tem aquele tipo de perfil colorido e cheio de comunidades bestas 4)era gorda. gordinha. acho até que é anoréxica, pq hoje dá pra ver os ossos da coluna e nas fotos era bem mais cheinha -da forma antiga, nao era nada de estupenda. enfim, nao é como a professora de combat da academia antiga (geez, eu casaria com ela), mas é uma grande diversão para as minhas horas de sofrimento (esteira e transport nao sao muito legais afterall)

19 January 09

Shanian


Prefácio Eu disse que as transmissões deste {blog} estavam encerradas, mas a falta de tempo/vontade/paciência para encontrar outro host grátis fez minha promessa cair por terra. Como se não bastasse, deixei o arquivo com o último post salvo na área de trabalho do notebook. Na praia, doente, fui dormir e deixei minha mãe jogando no computador. Acordei e quase pude enconstar na Desconfiança que pairava na criaturinha. De forma que não interessa mais se ela tem ou não o link. Se o passado todo está aqui, não se pode esperar muitas diferenças no presente.

I Dito isto, vamos às boas novas? Estou no terceiro dia de LF e me sinto muito-ultra bem. Um milagre permitiu que eu voltasse à academia no dia 06. O editor do site onde eu trabalho transferiu a assinatura de 6 meses, que ele e a namorada fizeram, pro meu nome. Vale até abril.

II Agenda
Na segunda-feira, ingeri 650kcal em pêssegos, maçãs e roscas de polvilho (!!). Andei de roller e caminhei por 1 hora. Devo ter queimado umas 400kcal na brincadeira. Na terça, foram 468kcal. Era o primeiro dia de academia, quase morri (literalmente) mas gastei cerca de 650kcal. Comi: diet shake, pêssego, maçã e bebi um pouco de isotônico. Fiz body combat, esteira e body balance. Nunca foi tão dolorido, mas é só por falta de prática. Hoje, quarta-feira, comi 556kcal. Gastei 750 na academia (body jump, balance e transport). O cardápio foi pêssego, uva, maçã e diet shake. Comecei com (deus do céu, que vergonha) 68kg. Hoje estou com 65,5kg. A meta, como sempre, é qualquer coisa abaixo de 55kg.

III What’s up?
Eu comecei 2009 endiabrada. Decidi que este ano vai ser perfeito ou… vai ser perfeito. E perfeição, bem sabemos, não inclui (muita) comida. Nem notas baixas. Como minha meta é chutar bundas com o TCC, tenho que me focar em controle. (Não tente entender). Basicamente, funciona assim: eu não penso direito quando estou no modo baleia. Eu fico triste/indignada e esqueço de trabalho e estudo. Por outro lado, quando sinto fome, faço de tudo pra esquecer dela. E isso inclui estudar e trabalhar. Não me fale de fraqueza, estou tomando vitaminas. E a alimentaçào pode ser pouca, mas é nutritiva.

IV So what? Fiquei puta com uma conversa de MSN. Eu odeio MSN, sempre odiei, sempre odiarei. Depois de explicar, para o infeliz ex-colega de facul, o que era NF e LF tive que ler um sermão gigante que envolveu até fome na áfrica e religião (sério, de onde sai esse povo?) Isso me fez perceber que estou mais intolerante, justamente por estar mais determinada. Tirando minha mãe (mãe é mãe, pô), não vou aguentar perguntas/dicas/conselhos. Durante toooda minha vidinha, fui muito covarde e sempre ouvi os outros. Nunca tive coragem de dizer “meta-se com sua vida”, por exemplo. Até agora.

Posfácio O momento creepy do mês vai para uma compra que fiz hoje: papinha de maçà da Nestlé. O lance é para “a primeira fase da infância” e garante 73kcal em um vidrinho. Custa 2,50 e é ruim pra caralho. O que é bom, porque, quando a fome bate, sei que só tenho aquela opçao. Aí como o suficiente pra seguir o dia. Nada mais. For the record: o melhor mashup ever surgiu e ganhou pseudônimo. Mais informações, nos próximos capítulos. Ou não.

22 December 08

there's nothing there

Encerrar o ano com retrospectivas é definitivamente clichê. Mas, dentre as coisas que aprendi sobre mim este ano é que sou irremediavelmente previsível e nada criativa, so fuck it.

Planejei derrubar o blog, mas ainda não arranjei outro. Por isso sigo escrevendo aqui. Apenas porque um dia após a publicação deste post, estarei na praia com minha mãe, ou seja, Tony Cósmico não denunciará nem mesmo uma linha do que for escrito, por sete dias, pelo menos.

Pois bem, antes de começar a escrever, estava pensando se o ano fora bom ou péssimo. E não consegui nem mesmo chegar a uma resposta paliativa. Não sei. Mesmo.

Foi bom porque:
Mantive a academia por 8 meses.
Mantive o veganismo por 4 meses.
Saí de São Leopoldo, para morar em Porto Alegre.
Aparentemente me livrei dos TAs.
Aprendi muito no trabalho.
Superei pavores que pareciam insuperáveis.
Tirei boas notas na Unisinos.
Conheci São Paulo.
Voltei para São Paulo.
Saí do -35 para o +4 na escala de relações humanas.
Fui a bares e comi na frente de ouas pessoas.
Acho que descobri que não sou bisexual.

Foi péssimo porque:
Engordei 10 quilos (espero que minha miga não leia isto pois eu morreria de vergonha).
Passei alguns dos piores momentos da minha vida numa casa de vadias insanas e sem-futuro.
Me mudei para um JK dentro do mesmo espaço das vadias insanas, sem liberdade para nada e com direito a ouvir música ruim 24/7.
Fiquei presa à este lugar de vadias insanas por mais tempo que deveria e por mais tempo que imaginava.
Comecei a beber muita cerveja, o que explica 5 dos 10 malditos quilos, pelo menos.
Entrei muda e saí calada em praticamente todas as aulas na Unisinos.
Desisti da academia quando estava doente. E nunca mais voltei.
Descobri que alguns transtornos são mais sérios e perigosos que outros. SH.

Então, no próximo ano, definitivamente, preciso perder 15 quilos -no mínimo. E arrumar outro lugar para viver (considerei voltar para São Leopoldo mas seria muito humilhante. É preferível morrer na batalha do que desistir e voltar, right?). Também faz parte dos planos voltar para a academia no segundo dia do ano e não sair de lá jamais. Regular o que como para não voltar a cometer bobagens depois. Falar mais, estudar mais, ganhar mais, pesar menos.

3 December 08

diferential diagnosis, people


Na boa? Descobri um lance importantíssimo. Não é paixão platônica. Nunca foi. Hoje percebi que desprezo 85% da humanidade. Outros 10% considero como iguais a mim. Lembre que não me adoro loucamente. Aí tem esses 5% que eu encontro vez ou outra, ao longo dos anos. São pessoas que respeito, idolatro, deixo num pedestal altíssimo porque fazem algo que eu gostaria de fazer. Porque são bonitas, inteligentes, bem articuladas, espertas, incomuns. Invariavelmente penso que estou apaixonada, mas não é nada disso.

Mas, enfim, só queria esclarecer isto mesmo. Pra minha mãe (oi mãe, manda um abraço pro Tony Cósmico, ok?) e pra qualquer um dos alvos da pseudo-paixão e seus correlatos. Eu sinto uma necessidade filhadaputa de escrever e publicar sobre cada um dos minutos da minha vida. Mas as únicas pessoas que lêem esta porra fazem parte da minha família (oi, mãe), são psicopatas ou chegam aqui através de perguntas bizarras no google (como afinar/engrossar as pernas? por exemplo).

De qualquer forma, acabou o semestre letivo. Tirei boas notas em cadeiras de texto. Remei em cadeiras de rádio. Semestre que vem começo meu TCC. Ainda não sei sobre o que será mas tem que chutar bundas. Antes disso terei de emagrecer, pra ter como única preocupaçao a unisinos e o trabalho.

Estou quase voltando ao velho e bom diário.

9 November 08


Tem umas três pessoas no mundo com quem eu não me incomodaria de estar (um emo, um assessor e uma colega de faculdade). As outras 6,499,997 poderiam explodir com a ligação do LHC que eu não me importaria muito.

Porque todas as outras pessoas me sufocam e me irritam. Aquela, que parecia cool e bem resolvida, se mostrou dependente e romântica. Aquele, mostrou-se um protótipo de psicopata. Mais recentemente, surgiu até a droga de um tarado (é por essas e outras…)

Que merda de gente maluca.

É clichê, mas só consigo pensar no “i dont do relationships,” da Shane. As três pessoas citadas lá em cima certamente fariam o mesmo se não fossem meras paixonites platônicas.

As pessoas não compreendem, ou fingem não compreender, que eu não quero saber de mãos dadas. Nem de casualidades. Nem de compromissos. Veja bem, eu gosto de estar sozinha. Eu não quero ajuda (por que é que as pessoas sempre acham que podem te “curar” seja lá de que diabos seja o assunto?)

Por que é que têm esperança de que sua maravilhosa presença vá apagar todo um histórico de luta comigo mesma e com transtornos de todo o tipo?
E, mais importante, quem disse que meu propósito é apagar estas coisas?

Me deixem. anorexia, bulimia, depressão. hipocondria. eu tenho diversão suficiente pra uma pessoa só. Eu sou egoísta. Não gosto de divisões, explicações, contato físico, emocional e espiritual.

Aí os bonitos e bonitas pensam: “Nãããão, o problema é que ela não achou a pessoa certa e blá blá blá…” Têm versões mais bagaceiras, mas, enfim, o que quero dizer é: não invadam meu campinho. Eu tenho 23 anos, já passei da idade de mudar de idéia toda a semana. Minhas idéias são as mesmas desde que caí na real sobre o lixo que é o socialismo.
Não é alguém que, porque acha que eu estou ok, ou que sou queridinha, que vai me convencer de que estou ok e sou queridinha, sacou?

Até minha mãe já desistiu da idéia de ter um neto porque desde os 09 anos eu explico o quanto abomino seres pequenos e dependentes e desorganizados e barulhentos. Até o ano passado ela dizia “filha, é só uma fase. eu já fui assim e tarará…” mas agora percebeu que não tem volta.

É uma pena o Gregory H. ser apenas um personagem. Mas as maratonas de House estão me ajudando a ver a vida de uma perspectiva que sempre existiu em mim mas que eu sempre fiz questão de esconder.

Acabou essa porra de ser boazinha, simpática e prestativa. As pessoas irritam, mentem, distorcem, perseguem, tiram proveito. Por que eu deveria me interessar por elas, dio santo?

6 November 08

nothing sweet about me




Previosuly on Downtown Train…

jantar de premiação e certeza de que sou uma gorda intratável.
Bom, cerca de cinco horas após escrever o último post, quase morri vomitando. E nem foi minha culpa. Apenas acordei passando muito mal.
De qualquer modo, zerei as calorias daquela noite.

*

Dez dias após aquele post, voltei para São Paulo. Desta vez para passar o findie e cobrir dois eventos. Desisti de um para conhecer a Santa Efigênia e uns pontos turísticos, com um amigo do meu editor. Tirando a parte em que quase morri comendo lasanha e bebendo cafés e frapuccinos da Starbucks, foi super legal (desculpa aí a falta de originalidade e maturidade pra adjetivar de melhor forma).

*
Desembarquei em Poa decidida a emagrecer (rárá, pela zilionésima vez) e entrei numa dieta
insana (não do ponto de vista restritivo, mas pelas escolhas bizarras mesmo)
iogurte = a manhã
feijão = meio dia
barra de cereais = tarde
brocólis ou pipoca = noite

*
além disso, li no Orkut que Franol (remédio pra asma) emagrece. É efedrina 15mg vendida sem restrição, em qq farmácia por 5 pilas a cartela; Aí tomo com café, pq ajuda a acelerar o metabolismo. Obviamente não é vendido com esse propósito porque faz mal pro coração e pra um monte de outras coisas. fuck it. tem uma versão mais hard que adiciona aspirina ao negócio, mas fiquei com medo e não fiz a mistureba.
uma hora após tomar o negócio começa uma tremedeira, e diminui mto o sono e o cansaço.
depois que terminar a cartela, devo voltar pra sibutramina e depois pro desobesi.

*

Assistindo House descobri que Topamax também emagrece. É um anticonvulsionante.

*

Ontem fui escalada pra entrevistar um cara durante um almoço que reúne empresários e coisas do tipo. só que ontem era dia de LF! e nesses eventos, imprensa fica pra almoçar. caralho, quase morri de vergonha. chegou o primeiro prato, aí brinquei de esconder o miniquiche de frango embaixo da salada e logo alguém levou o prato.  mas quando veio o prato principal decidi dizer que não queria, e fazer de conta que tava ocupadísima escrvendo. veio uns 3 garços perguntar se queria outra coisa, os jornalistas ficaram olhando apavorados, vergonhoso. aí chegou a sobremesa e foi o mesmo aimeudeus. eu tava muito, mega, ultra constrangida mas ao mesmo tempo nao queria quebrar minha própria convicção em três pedaços.

*

tô amando a Gabriella Cilmi, que é tipos a Amy off drugs e ainda bem guriazinha .

acho q era isso, por hoje ;)

12 October 08

fast as you can, baby




Eu não pulei do prédio da Bovespa. Foi tudo muito bom, na real. Profissionalmente falando. E esta é minha desculpa para ter engordando tanto.

Fuckmejesus. Eu voltei a ser a baleia de três anos atrás.

Tem um livro que fala exatamente disto. O nome é Gaining: The Truth About Life After Eating Disorders. Assim que você volta a ser uma pessoa normal, seu peso corre na frente e te transforma em uma gordinha feliz. Não li o livro, mas acredito que o recomendado seja se conformar e seguir assim. Bem capaz.

Se é preciso escolher entre sucesso+felicidade+gordura e infelicidade+magreza, escolho a segunda opção, sem dúvida alguma.

Então, deixa eu resumir o último mês.<!—more—>
Antes de ir pra São Paulo, fiz a Dieta da USP, mas comi mais bolachas salgadas do que deveria e substituí cream cracker por club social light. E as carnes grelhadas, por fritas. Talvez por isso não emagreci nada.

Cheguei lá com 64. Na noite anterior à conferência fomos comer em uma cantina italiana (redundância?) e eu estava bem feliz e não suficientemente preocupada com peso. Acabei comendo lasanha e bebendo vinho. No café da manhã exagerei novamente (é o problema de
largar o proletariado em lugares com mais estrelas do que o de costume) e no almoço criei vergonha e comi meio sanduíche.

Depois de São Paulo, a coisa descambou horrivelmente. De forma oficial, abandonei a academia. Me abracei à tevê a cabo, ao trabalho e à facul. Para ligar um à outro, junk food. Todo o tipo. Rápido e certeiro. Predominantemente, bolachas recheadas e chocolates.

Só hoje, dia 12, que percebi a desgraça que estava causando a mim mesma. E parei com tudo, literalmente. Estou em NF para desintoxicar. Amanhã, vou ao super fazer um estoque de legumes, verduras e, em menor proporção, frutas. Além de cigarro e chá, obviamente.

It’s all about control.

A meta é a de sempre. Chegar aos 50. Mas, vergonhosamente, estou pesando 67. Altura, 1.74. O que faz meu IMC estar em 22.1, o que me faz ter vontade de cortar cada pedaço de gordura eu mesma.

Para me ajudar à reencontrar minha amiguinha, dois aliados: a falta de TV a cabo (o dono da casa levou o decoder na sexta-feira) e a chegada da internet 3G. Ou seja, muita thinspo.

There we go
(a long way down)

26 September 08

Todos os esclarecimentos do mundo


Estou mal humorada, watch out.

Eu uso o Twitter desde o dia 11 de abril de 2006. Até novembro do ano passado eu só escrevia em inglês porque, basicamente, quase não existiam
brasileiros por lá. Na época em que passei a escrever em português, o número de brasileiros
já era considerávelmente maior. Blogues, reportagens da Exame e Campus Party explodiram o acesso dos brazucas.

Nessa semana, durante o lançamento do projeto “Márcia pelo social em 2008″, resolvi adicionar todo e qualquer vivente de Porto Alegre e São Leopoldo, ou estudante da Unisinos. Como as pessoas geralmente são super legais, elas mandam mensagens, replies ou até coments via blogue ou orkut. Porém, como o projeto “Márcia pelo social em 2008″ parece estar afundando mais rápido do que o Titanic eu não tenho conseguido responder quase nada.

Duas coisas acontecem comigo: eu sou egoísta e descoordenada. Então eu não leio blogs alheios e quando leio, tenho dificuldade em comentar. Mesmo aqui no meu espaço, eu vejo os
coments, penso em trocar uma idéia e acaba acontecendo que eu não faço o politicamente
correto.

Peço desculpas.

-
Aos visitantes, sejam bem-vindos. Mas entendam, eu não uso AdSense, eu escrevo o número de parágrafos que desejo escrever -por mais longos e repetitivos que sejam- e não divulgo isto aqui ‘comercialmente’, digamos assim. Porque minha única ambição nesta bodega é escrever as novelas mexicanas pelas quais estou passando e ler mais tarde. Basicamente, é como cortar o braço e dar uma pedrada bem em cima quando tá cicatrizando. Ou menos.

Tags: twitter,
13 September 08

Just keep your head above

anorexia extra skinny thinspiration model Isabel Brismar Lind

Então chegou o Dia da Prostituta e tudo ficou horrível novamente. E nem devia ser assim, porque ao meio-dia recebi uma ligação e o convite pra cobrir um evento do Google em São Paulo, nas próximas semanas. Assunto que eu gosto + viagem de avião devia ser igual à ansiedade positiva e coisas boas, right? Sort of. Fiquei feliz e apavorada. Mas logo já estava de volta ao trabalho e preocupada com outras coisas. Percebi que o problema não está apenas na chegada da sexta-feira. Tudo começa na quinta, na Unisinos. Nesse dia tenho jornalismo online, com um professor que é o único que realmente vive no mesmo mundo que eu. Matéria que eu gosto, professor idem. Devia ser só alegria, right? Nem perto disso.

Eu entendo do assunto mas não consigo participar da aula (e é a única que me interessa), não consigo falar com os colegas e aposto que o professor pensa que sou algum tipo de retardada-poser-ignorante. É bem capaz de estar certo. O fato é que toda a fobia-social e ansiedade são amplificadas ao máximo na quinta-feira e saio da sala quase chorando. Sempre. Sem motivo. Odeio isso. Me odeio por isso.

Hoje, ao menos, não comi demais e conseqüentemente, well… não me esforcei pra desfazer nada. Mas fiquei em casa, vegetando e olhando tevê, fumando e instalando joguinhos no celular até que comi um miojo, dois bombons e atum. Passei a me sentir péssima e -como acho que forçar o vômito é o que está acabando com minha pele-, resolvi acabar com os braços. Bem nessa hora a tevê começou com seu poltergeist diário e me forçou a trocar de canal. Nisso passei por uma legenda onde estava escrito algo sobre Zoloft (remédio que eu tomava ano passado, justamente pra parar com essa p**** toda; mas que não resolveu).

O programa era Prescription: suicide?, sobre crianças e adolescentes que usavam anti-depressivos e acabaram se suicidando. E claro que tinha o cardápio completo: distúrbio alimentar, transtorno obsessivo compulsivo, auto-mutilação, ansiedade, bullying. Detalhe: cada entrevistado tinha apenas um dos problemas. Como é que eu cheguei até aqui, hein? Ao fim do documentário já estava quase ligando para o CVV. O número está na agenda há decadas, just in case, mas não foi preciso. Resolvi escutar o novo disco do Jack`s Mannequin, que geralmente funciona bem e me deixa feliz e acreditando que há esperança no mundo, mas não foi de grande ajuda. De qualquer forma, a frase just keep your head above ainda está martelando. Hoje estava conversando com meu editor sobre os lugares must see de Sampa, e ele sugeriu o prédio da Bovespa, uma vez que sou viciada no troço, e é grátis e bem alto. Uns 60 andares. A primeira idéia foi exatamente esta, e comentei brincando. Mas não dá, né?

Se eu sugerisse algo pra alguem e a pessoa pulasse do lugar eu me culparia pelo resto da vida. Deve ser mais ou menos assim com todo mundo. O fato é que, segundo dizem, Porto Alegre está tão violenta que nem terei que me preocupar muito. É só sair por aí e deixar que façam por mim. O que é bem covarde, by the way. Mas já percebi que este insiste em fazer parte do meu nome do meio. Be it.

8 September 08

You know its killing me

anorexia extra skinny thinspiration model Victoria Wallace


Duas coisas estão tirando meu sossego e as duas demandam metáforas porque:
1) É como se eu fosse uma freira de segunda a sexta e uma prostituta, no final de semana.
2) É como se tivessem me oferecido heroína por uma semana, pela modalidade all you can eat

Vamos às explicações:
1) Tudo é contabilizado e, basicamente, se resume a: iogurte (75), dualid, miojo light (260), sibutramina, iogurte (75), barra de cereais (66). Aí chega a noite da sexta-feira e minha mãe vem pra Porto, dormir aqui em casa. Obviamente, não vou dizer pra ela:

-Oi mãe, ali tem miojo light e iogurte. Pode até comer os dois, se quiser… Não dá, né?
Então vou ao mercado e como pão, frios, café, leite, umas bolachas, refrigerante, chocolate, enfim, comida mais normal pra ela se sentir bem vinda e tals….Acontece que eu como junto com ela e puff… as calorias inexistentes na semana, aparecem todas no findie. Inferno. De segunda a sexta, não tenho coragem de comer na frente dos outros, morro de vergonha de ser vista no supermercado e sofro como um cão a cada vez que subo na balança. Chega o final de semana e esqueço dos remédios, vou no super com a minha mãe e até mesmo em um restaurante, se for o caso. Assim que fico sozinha em casa, volto a fazer de tudo pra me punir pelos dias de excessos. Isso não é vida.

2) Eu passo mais tempo zapeando e reclamando e menos tempo assistindo e descobrindo coisas novas, mas, depois de uma semana, a idéia de voltar à tevê aberta me faz lembrar do House chantageando o staff do hospital para ter de volta a tevê à cabo. Dude, o dono da casa me avisou que o receptor ficaria aqui por uma semana, como teste. Se quisesse comprar, beleza. Senão, sei lá, acho que era só devolver. Acontece que o dia chegou, o dono passou e não levou o receptor. Só me encheu de ansiedade, pensando que horas vai terminar a salvação da minha vidinha medíocre.

Os filmes (antigos) repetem três, quatro vezes…. as séries são velhas conhecidas há séculos e já assisti temporadas que são anunciadas como a grande atração para o mês de outubro (como a adorável Aliens in America), os canais de esporte e história/geografia são apenas figurantes, assim como as tevês públicas. Então é tudo em volta de saber quando serei afastada de 12 canais gigantemente meia-bocas: MTV, AXN, GNT, VH1, GNT, Multishow, Universal, Sony, FOX, TNT, People&amp;Arts e CNN.Mas, cara, ruim com eles, impossível sem eles. Até a heroína chegar, havia apenas Globo e Record em péssima sintonia. Imagine isso. Agora fico aqui rezando pro homem não buscar o receptor, mas é quase certo que o fará amanhã. Que vidinha….

31 August 08

Surprise

anorexia extra skinny thinspiration model Linn Asplund

Dude, eu estou totalmente feliz!

Minha mãe dormiu no JK sexta e, no sábado, fomos para São Leopoldo. Agora ir pra lá é maravilhoso porque nào é mais o buraco ao qual eu estaria presa pelo resto da vida -como imaginava. Agora é a casa dos pais, aonde vou para ser mimada e tratada como a guriazinha de três anos. E adoro isso, para ser bem sincera.

Mas não é por isso que estou feliz. Nãão, não.

Hoje, domingo, voltei pra POA. Quando cheguei em casa, vi, pela janela, que a tevê estava ligada -poltergeist que já não me surpreende. Ao entrar em casa ouvi uma conversinha na língua ianque que tanto adoro. Oras bolas, faustão não conversa em inglês. Record também não passa filmes legendados, sooo…

Lá estava o receptor lindão de tevê a cabo, que eu não via desde abril, quando ainda estava na senzala. Naquela época a tevê das escravas estragou e o receptor foi levado embora. Desde então minha vida porto-alegrense vinha sendo pautada pela TVE, Record e Globo.

Fiquei feliz mesmo depois de zapear e descobrir que a grande maioria das séries eu já vi -Lost, LA Ink, a fofa Pushing Daisies, Lipstick Jungle, etc, etc.

Mas, ao menos, Tudors e Six Degrees são séries que nunca assisti. Sem falar que não terei mais de aguentar House dublado e atrasado, nem Ana Maria Braga.

E não é por isso que estou feliz. Mães, contatos profissionais e futuros namorados, por favor acessem outra coisa. Isto não é da conta de vocês.

Estou gorda mesmo. Com 66 miseráveis quilos e aumentando. 15 dias afastada da academia. Dormindo tarde, aprendendo Dreamworks e comendo enquanto isso. Porque eu controlo minha alimentação bem direitinho até a noite. Mas depois fode tudo.


Aí hoje não foi muito diferente. Comi demais em SL, cheguei em POA e comi uns biscoitos feitos pela minha mãe e tomei bastante refri -que comprei pra ela, na sexta.

Resumidamente, o líquido foi apenas para ajudar no processo. E foi tranquilo, nada deprimente, limpo (oi? estamos falando do meu banheiro limpíssimo e belíssimo e não daquele inferno traumático de outras épocas, com gente passando e julgando, ok?)

Não é o tipo de coisa divertidíssima, mas saí me sentindo leve e feliz e orgulhosa. O troço é muito mais um ritual de passagem do que uma forma de emagrecer.

Agora, já posso voltar à vida de sempre. Tenho uma boa quantidade de iogurtes, barras de cereal, dualids e sibutraminas. Além disso, amanhã volto para academia, no horário da manhã.O plano é voltar aos 50`s o mais rápido possível. Sem depressão, sem comprometer meu trabalho e meus estudos ou preocupar o povo lá de casa. Se antes eu era a imagem da emo-ana-freak, agora estou trabalhando para ser a kickass-skinny-journalist.

Ah, eu acho que estou desistindo dos garotos -coisa que nunca funcionou muito bem em minha agenda, anyways.

Só não sei se aposto no contrário ou sigo na vida monástica-junkie.

Sugestões são bem vindas :P

18 August 08

just for the record


subi na vida. meio degrau, mas subi.
estou morando num JK no pátio do maldito pensionato. O que muda? Não preciso mais dividir banheiro, cozinha, quarto com desconhecidas, posso contar com tv a cabo e internet.

*como nada é perfeito, ainda falta um fogão (que já estava contratado com o dono). além disso herdei a maldita geladeira do quarto antigo. Uma barulheira lá de 1920 que tem que ser desligada caso eu queira dormir.

*mas agora é um lugar bem bonitao, e com liberdade. pelo menos um pouco de liberdade. nao pode levar niguem, mas (convenhamos) este é o último dos meus problemas.

*o banheiro só meu permite desfazer qualquer ímpeto compulsivo. se bem que perdi o costume (se é que alguém adquire costume de vomitar, vai saber…)

*as 200 fotos de mulheres magras, não parecerão mais ataques de lesbianismo, (tente explicar a semi-analfabetas o que é uma thinspo…)

resumindo, everything is just wonderful and i’m having the time of my life (thanks, lily) .

25 July 08

kid, you've got it bad

conor oberst, santander cultural, 20/07/08

O problema todo é que eu sempre imaginei Omaha como uma espécie de Scharlau norte-americana, parada nos anos 90.

Por algum motivo, que não sei precisar qual é, eu vejo Conor adolescente sentadinho na varanda daquelas casas típicas de bairro classe média wasp, entediado e apaixonado por riquinhas frescas tipo Maria taylor e fumando escondido, na varanda, fazendo piadas com Tim Kasher.

Aí quando a entrevista foi marcada e comecei a pensar nas perguntas que seriam feitas, não pensei que estaria entrevistando o Matt Damon e sim aquele guri por quem eu era apaixonadinha por uma ou duas temporadas, lá da Scharlau.

E me preparei com perguntas que não encontrei na internet. E lembro de ter pensado, uma porção de vezes, “que jornalistas babacas estes que o entrevistam! Por que é que não perguntam coisas mais íntimas, coisas que os fãs gostariam de saber? Por que insistem em falar sobre Obama, sobre México e sua evolução musical como cantor?”

O fato de haver muito poucas entrevistas nunca me pareceu nada mais do que falta de interesse da mídia, mais preocupada com Timberlakes, Jonas Brothers e Spears.

Ou seja, eu não me dei conta que, entre os dias de paixão platônica e os dias de hoje, muita água passou pela ponte de Omaha.

Foi por isso que fiquei meio catatônica quando vi a equipe da MTV RS ser educadamente convidada a guardar seus equipamentos sem gravar uma única imagem antes do show.

Foi por isso que fiquei extremamente chocada com a idéia de que a minha entrevista não se realizaria sob hipótese alguma, nem mesmo após o show (‘manda as questões por e-mail, que eu repasso para o agente dele e ele encaminha para o Conor’, disse o assessor de imprensa do Santander)

O fato é que eu passei a semana anterior meio arrependida por ter marcado a tal da entrevista. Porque meu inglês é péssimo, porque Conor é instável e porque sou insegura. Pensando em tudo isso, esqueci de bolar um plano B.

Porque eu imaginava chegar lá como a jornalista que -por acaso- gosta da banda e, “ei, será que podemos tirar uma foto? …Pois é, eu soube dessa sua virada astrológica, então fica com isso aqui, sempre me deu sorte, apesar de que eu não acredite nisso… claro, aqui está meu cartão, te mando o link, fica bem, tchau..”.

Aí eu cheguei lá, tive que ficar na fila por um bocado de tempo, com aquele bando de pirralhos indies, e tive que praticamente berrar alou, segurança-ignorante, eu sou repórter, tenho entrevista marcada, porra, me deixa entrar de uma vez.

Isso uma hora antes de o show começar, com a chuva caindo fina e a previsão de que, se os aeroportos atrasassem, o show atrasaria.

Aí ele chegou, baixinho mas não tanto quanto eu imaginava, segurando um travesseiro, ou algo parecido. Eu, que não planejava fazer a tiete, apenas sorri e deixei que passasse, afinal minha hora com ele seria qualquer minuto próximo. Que erro…

E após um tempo que não sei precisar, o show teve início. E eu não estava ali. Quer dizer, eu estava. Eu nem me preocupei em sentar, fiquei ajoelhada em frente ao microfone, e ao lado da entrada do palco, e perto da bateria, e em todo o canto que meu crachá de imprensa permitia. E eu vi o show mais pela câmera do que da forma convencional, uma vez que tirei 190 fotos ao longo de 15 músicas. Não perdi um movimento dele, nem deixei escapar espaço na frente dele pra que olhasse pra outro lado. Quando, milagrosamente, abria os olhos, eu estava lá embaixo, olhando pra ele, cantando e tentando processar tudo o que acontecia.

E sentindo aquela sensação que todo fã sente quando está entre 18 mil cabeças e sabe que o guitarrista apontou para ele. Mas não estávamos entre 18 mil e, sim, por diversas vezes, vi que ele notou minha presença (mesmo que estivesse pensando: porra, essa gorda não sai da minha frente, que inferno)

Eu não bati palmas porque estava segurando a câmera. E porque não estava ali. Estava, mas não da forma integral. eu estava em algum outro lugar, simultaneamente. eu estava no camarim prometido pelo assessor, fazendo as perguntas que eu tinha feito tantas vezes naquela semana, para o espelho, para o chão, para a esteira. eu acordei e dormi pensando nas perguntas e elas não estavam ecoando em outro lugar além de dentro da minha cabeça.

Como brasileira que não desiste nunca, eu via o set list sem desejá-lo pois estava certa que teria algo melhor ao final da noite. E não me refiro ao sentimento groupie de que sairia dali direto para a cama com Conor Oberst e dali para a lua de mel em New York, onde dividiríamos nossa nostalgia e pena do mundo. Bem capaz. Eu só imaginava que sairia dali feliz por ter feito as perguntas para alguém de quem já gostei tanto.

Um cara que foi a trilha sonora da minha vida nos piores momentos. Nos piores mesmo. (Isso não deve ser um bom título para um músico, eu sei, mas é fato). Ele me acompanhou às terapias em porto alegre, aos exames de sangue em são leopoldo, ao consultório do dr.Prozac, às entrevistas de emprego em jejum. Todo meu histórico de depressão/transtorno alimentar tem a trilha sonora de Bright Eyes. E isso pode não ser bom, mas é real.

Aí o show terminou e eu estava convencida de que seria super legal, pois já estávamos íntimos na minha cabeça. O assessor confirmou o que eu temia. Nada de entrevista. Aí a fã chegou atrasada. Porque, ano retrasado, quando B.E. era minha vida eu tinha esse plano de mandar uma carta para Omaha agradecendo pela existência de seu vocalista e por ele traduzir tão perfeitamente tudo o que eu levaria uma vida para resumir -e sem toda a graça. E a carta existe na minha cabeça. Mas eu nunca a escrevi. Até tentei, mas o inglês fucked up falou mais alto e o projeto ficou adormecendinho.

Eu poderia ter feito isso. Poderia ter escrito uma faixa dizendo que me suicidaria de qualquer forma mas que o faria mais rapidamente caso ele não parasse, tirasse uma porção de fotos, me desse um abraço e um autógrafo. Poderia ter comprado uma garrafa de qualquer bebida bonita e forte, ou uma caixa de chocolates, ou uma flor, um urso, um livro, qualquer coisa que transformasse o carinho em algo apertável e entregável para alguém que em horas vai voltar a seu país, tão distante do meu.
Era a única oportunidade e eu não fiz nada disso.

Só esperei junto a meia dúzia de indie kids por mais de meia hora até que o rapaz resolvesse voltar para sua van. Aí quando ele veio eu fui a primeira a pedir pra tirar uma foto e só lembro que ele disse “Sure” e eu apertei o botão e nem me dei o trabalho de ver como ficou pois estava tentando articular a frase ‘já que tu não me deu a entrevista, uma foto é o mínimo que pode me dar agora’ mas os outros já o estavam puxando e eu ainda estava tentando acessar o meu Google Translator Mental, que não funciona como o verdadeiro.

Uma guria deu alguma coisa pra ele, acho q um pacote de balas, e outras tiraram fotos e ele entrou no elevador. Quando isso aconteceu éramos apenas uns 4 no saguão. E eu fui a única que viu ele acenar enquanto a porta se fechava e eu fiquei ali parada com a expressão mais miserável que pode existir, como quem vê a morte de alguém. Uma porta de elevador se fechando nunca foi tão inevitável quanto um enfarte, como naquele domingo, 20 de julho.

Após a porta fechar eu tentei segurar um choro convulsivo que insistia em não se manter por baixo da pele nem mais um minuto. O segurança me chamou quando me viu sair soluçando e perguntou se estava tudo bem. Eu poderia sentar com ele ali e explicar todos os inúmeros motivos que faziam a situação não estar nada bem, mas apenas preferi balançar a cabeça afirmativamente. Aí ele perguntou: “mesmo?” e a vontade de dizer toda a verdade foi ainda maior, mas ainda havia a chance de encontrar com o ghost por uma última vez, entao corri até a van.

E, sim, ele estava lá dentro e deve ter pensado que eu era algum tipo de autista psicótica, porque eu só me prestei para -mais uma vez- ficar olhando. Enquanto isso um dos caras da produção (a quem odiei desde antes do show, por ter dado um disco do Conor para o cara da mtv -que nem curtia a banda) perguntava aos indie kids algum bar onde as pessoas iriam sempre. Recomendaram o Bambus, troço mega decadente, e eu nem lembrei de falar do Bell’s, menos decadente e ao lado de onde eu moro. Aí não sei se foram para lá ou não. A van arrancou, eu saí na chuva tentando desesperadamente acender um cigarro e chorando como a mais chorosa atriz de novela mexicana.

A noite serviu para me esclarecer que, se não há entrevistas com Conor Oberst é porque ele não quer. Ae não há resposta a perguntas pessoais, é porque os jornalistas concordam em fazer um take meia-boca a não fazer nada. Eu nem tive essa opção. Mas que porra, Conor Oberst.

update:
resolvi criar coragem e ler os tópicos sobre o show. teve gente que beijou e abraçou e o escambau. mas não tive coragem de ler tudo. vou ali ouvir Good Life, enterrar esse dia por completo e voltar à entrevistar CEOs que são mais ricos, empreendedores e acessíveis.

12 July 08

eu não sou blogueira sociável

anorexia extra skinny thinspiration model Ronja Van Der Berg

Cheguei em São Léo às 16hs. Agora o relógio marca 19hs e ainda não fiz absolutamente nada do planejado porque um link leva a outro e, quando percebo, já mudei de idéia e arrumei outros quinze interesses.

Eu vim aqui para falar sobre minha súbita recaída por Porto Alegre, motivada pelas férias, pelo sol e pelo sábado, mas aí resolvi procurar um vídeo da Kate Nash, que me levou ao vídeo do Last Shadow Puppets que só vim descobrir hoje, 12 de julho de 2008, que é um projeto do Alex Turner. Isso me deixou embasbacada. O fato de ter ‘descoberto’ isso tão tarde. Não o fato de o Turner ter um projeto paralelo.

Aí meu embasbacamento teve de ser transferido para o Twitter. Lá vi alguém comentando o tal encontro de blogueiros porto-alegrenses e parei. E pensei em quão esquisita é minha vida.

Isso não é uma reclamação deprimida, é só uma constatação. Apesar de fazer parte de várias coisas socializantes eu não socializo. É eu e eu. Sempre.

Hoje, andando na Redenção, na volta da aula de Combat (cruzei a cidade para mais um lançamento do bodycombat 36) eu estava bem feliz, super feliz, rindo para o lado de dentro, ouvindo o ‘novo’ do Death Cab, quando me dei conta que eu era uma das poucas que estava sozinha no parque. As pessoas estavam com namorados, avós, tias, cães, iguanas, bebês, emos, o diabo. Sozinhos, apenas os corredores e os vendedores. E mesmo esses últimos estavam socializando seja com os políticos, seja com os clientes.

E esse meu pensamento ocorreu quando eu voltava de um lançamento de Mix BodySystems, que é o equivalente ao lançamento do santograal, mas para quem curte academia. O evento aconteceu na matriz da minha academia queridona e estavam lá meu professor amado, e outras profes queridas e muita, mas muita gente, porque a matriz é muito, mas muito maior que nossa filialzinha da Cidade Baixa. As únicas pessoas com quem troquei algumas palavrinhas (oi! tu veio! é, vim!) foram obviamente os dois professores. E eu naõ fiquei triste com isso, nem feliz. Nem pensei nisso, na real. Estava feliz pra caralho por estar pulando e chutando e socando e fazendo os jumpkicks em todas as direções sem errar.

Quando terminou a aula e fui lavar o rosto, uma menina comentou algo sobre como era cansativo e eu sorri e fiz aham, mas sem querer estabelecer uma conversa. Fui embora, felizona da vida. Voltei a pé para o meu bairro, ouvindo música e fumando. E tão feliz por nada em especial. Só pelo dia bonitaço que estava fazendo.

Naquele pensionato infeliz onde moro acontece mais ou menos o mesmo. E na academia, e na Unisinos, e na Internet, e no mercado. Certamente algumas pessoas são menos horríveis do que meu julgamento. Mas eu não tenho interesse nenhum em falar com elas. Se eu preciso usar a cozinha, o que evito com todas

as minhas forças, preparo um arsenal antes de ir até lá. Ontem, por exemplo, estava no pico da TPM, comendo até pedra, resolvi que deveria comer pães de queijo. Comprei aqueles congelados -que custam o preço de 1 pronto na padaria- e me arrisquei.

Liguei o forno e fiquei na sala esperando cozinhar o troço. Fones no ouvido, Exame tampando o rosto, me deitei no sofá e fiquei lendo. Veio uma das moradoras, falou algo que não entendi, e foi embora. Veio outra, falou, tirei o fone com cara, que ‘putaquepariu, o quê, hein?’ e logo saiu dali tb.

Quão péssimo é isso para minha vida? Sei lá. Espero que não muito.

Eu tinha mais uma lista de coisas sobre as quais planejava escrever, na real, mas escontrei vídeos do VanDamme no Youtube e agora estou matando a saudade de uma das primeiras paixões platõnicas da minha infância. E aprendendo uma ou outra dica sobre karatê. E tem 17 janelas abertas no Firefox com assuntos que vão de ballet à Adele e eu realmente quero ver se leio tudo isso.

Hoje estou querendo aprender ballet e karatê, nas próximas férias. Espero ainda estar desejando aprender isto quando as próximas férias chegarem. Só pra resumir, eu posso não ser muito social mas eu acho que gosto de como sou e não estou planejando mudar. Just for the record.

Posted: 12:00 AM

a bandida dieta do leite

Voltamos à nossa programação normal.

iêiê

*1º Dia*
6 copos de leite
*2º Dia*
4 copos de leite + 2 frutas
*3º Dia*
2 copos de leite + 2 frutas + queijo à vontade
*4º Dia*
4 copos de leite + 1 fruta + 1 bife
*5º Dia*
2 copos de leite + 2 frutas + 1 ovo + 1 bife
*6º Dia*
2 copos de leite + 1 fruta + 1 ovo + 1 bife + queijo à vontade
*7º Dia*
3 copos de leite + 3 frutas
*8º Dia*
2 copos de leite + 1 fruta + 1 bife + queijo à vontade
* É permitido bater as frutas com o leite
* Pode usar adoçante!
* Pode ser qualquer tipo de queijo, mas de preferência ao queijo branco!
* Pode substituir a carne vermelha, pela carne branca!
* As frutas de melhor opção são: bananas, maçãs, laranjas, abacaxis.
* Pode comer salada mas cuidado com as verduras com alto nivel de carboidratos.
* Beba muita água!

Themed by Hunson. Originally by Josh