O novo mercado de social media
Apesar de ser considerada moda passageira por alguns, a aposta em social media vem crescendo no Brasil. Prova mais recente disto é a adoção de editorias de social media por duas corporações jornalísticas tradicionais: Estadão e Zero Hora.
As contratações aconteceram em novembro deste ano, na esteira de New York Times e Guardian, que criaram cargos semelhantes no início de 2009.
Tal movimento vem solidificando as carreiras ligadas à mídia social no país, ainda que sejam escassas as formações na área.
O caminho das pedras
Para Rodrigo Martins, editor de Mídias Sociais do Estadão, o primordial para quem pretende trabalhar com esta área é navegar muito, usar todas as ferramentas, acompanhar quem lança tendências na rede e, principalmente, participar da conversa na internet.
“Escrevendo, respondendo e retransmitindo. Também é importante, estar sempre pronto para o novo”, afirma o editor que, antes do novo cargo, foi repórter do Link, suplemento de cultura digital, por cinco anos.
Assim como Martins, a responsável pela área de mídias sociais na Zero Hora, Barbara Nickel, não cursou nenhuma especialização no assunto, aprendeu fazendo.
“Passei o último ano lendo, pesquisando, observando novidades que dão certo ou não em outros veículos, fazendo algumas experiências com o Twitter da Zero. Também assisti a alguns webinars. Minha formação vem mais desta curiosidade e da experiência de editora de canais como Leitor-Repórter, em que os leitores são os protagonistas”, diz Barbara.
Quem pode trabalhar nessa área?
Uma breve pesquisa em sites de recrutamento aponta que as vagas disponíveis para social media exigem profissionais formados em Jornalismo, Publicidade e Propaganda ou Marketing. Naturalmente, familiaridade com ferramentas online e boa escrita são fundamentais.
“Teorizar sobre as mudanças na comunicação por conta das redes sociais é muito legal, traz muitos insights. Mas estar nas redes sociais é mais importante ainda”, afirma Martins que, por cobrir o assunto há cinco anos, conta com cadastro nas principais redes como Facebook, Orkut, MySpace, Hi5, Twitter, Linkedin, Tumblr, LiveSpaces, Ning, Habbo, Sonico, Friendster, entre outras.
Não basta, no entanto, passar o dia no Orkut ou no Twitter. “Eu não contrataria alguém que tem uma presença forte em todas as redes, mas só está ali para fazer fofoca ou postar auto-retratos feitos com o celular, por exemplo”, declara Barbara.
Rotina de trabalho
No Estadão, Martins tem como desafios coordenar a presença do jornal em redes como Orkut e Facebook, Twitter, além de gerenciar os blogs da empresa.
Além disso, atua junto aos jornalistas do Estadão e do Jornal da Tarde para pensar novas formas de utilizar as ferramentas sociais. “A ideia é que eu seja um provocador, uma pessoa que explique, que ajude a encontrar caminhos, que torne as ferramentas naturais no dia-a-dia do trabalho jornalístico”, comenta.
Nos dois meses de atuação, Martins criou cerca de dez blogs e pelo menos cinco contas no Twitter, cujo conteúdo é alimentado pelos jornalistas de redação. “Muito do meu trabalho é sentar ao lado deles, apresentar e discutir propostas, dar dicas de como levarmos o que temos de melhor, a informação, para uma cultura mais aberta e interativa, que é a internet”, afirma.
Na Zero Hora, a rotina não é diferente.
“Hoje eu ainda estou me dividindo entre atividades de editora de mídias sociais e as tarefas da produção diária de zerohora.com. O projeto é que eu ‘migre’ completamente até o início do próximo ano”, comenta a editora. Até lá, Barbara segue coordenando a conta no Twitter (@zerohora), buscando pautas nestas novas redes e ajudando os colegas a entender melhor a função da mídia social.
Um de seus principais cases esteve ligado ao temporal que causou estragos no Rio Grande do Sul, no início de dezembro.
“Amplificamos o alcance de informações que eram postadas no Twitter, pedindo que as pessoas usassem as hashtags #temporalrs e #temporalpoa e trouxemos estes posts para dentro da nossa cobertura ao vivo feita com o serviço CoverItLive”, conta Barbara.
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