Perfil pessoal, atitude profissional

Não são poucos os casos de famosos que cometem gafes na internet. Tais deslizes são amplamente divulgados pela mídia mas não são os únicos.
Entrar em comunidades que demonstrem insatisfação com o emprego, twittar sobre eventuais brigas no ambiente de trabalho ou associar-se a páginas preconceituosas no Facebook são apenas alguns dos exemplos de uso prejudicial das redes sociais que podem influenciar diretamente na contratação e na manutenção de um emprego.
E com a maior aderência das empresas às novas plataformas virtuais torna-se cada vez mais necessário prestar atenção ao que se diz em tais ambientes. Deste modo, o que pode e o que não pode se tornar público?
Para responder a questões como esta, o Baguete Diário entrevista Ivan Witt, head hunter e sócio da Steer Recursos Humanos, empresa especializada em seleção para cargos de alta qualificação e aconselhamento profissional.
Confira as dicas do especialista e nunca mais twitte sem antes avaliar o impacto que os 140 caracteres podem ter em sua carreira.
De que forma as redes sociais podem ser prejudiciais ao profissional?
Ivan Witt : Toda vez que se publica algo numa rede social, estamos pintando um autoretrato. Melhor estar preparado para as críticas que com certeza virão. E nem todos diferenciam o profissional do pessoal. Se quer compartilhar coisas pessoais, crie um personagem, use um pseudônimo. Cuide muito de sua privacidade e não manche sua reputação profissional com bobagens.
Alguns críticos afirmam que se um perfil no Twitter tornar-se muito impessoal (publicando apenas links, por exemplo) ele apenas tomará emprestado a função de sites como Digg e leitores de RSS. Ou seja, o profissional (principalmente de empresas de internet) estaria fazendo um uso “errado” do site. Deste modo, para alguns cargos mais visados, de grandes empresas, é mais indicado que os profissionais nem mesmo participem de tais redes?
Ivan Witt : Grandes empresas jamais selecionariam um candidato baseado apenas nas informações contidas no Twitter dele. Isso é lenda! Claro que determinados setores podem usar o conteúdo criativo ou inovador criado por alguém, como um ponto inicial de um relacionamento comercial ou profissional. Twitter é uma ferramenta de comunicação. E só.
Podes citar casos de profissionais que cometeram alguma gafe utilizando tais redes?
Ivan Witt : Existem vários. Um recente foi a declaração de Mônica Sangalo, irmã de Ivete, no seu Twitter sobre a amiga e também cantora Cláudia Leite. O que era para ser uma brincadeira, foi levado a sério por alguns leitores e fãs de Cláudia e soou como provocação. Mônica se desculpou, mas a gafe ficou gravada na memória do público.
Quais profissionais fazem o uso que consideras correto de redes como Twitter?
Ivan Witt : Não existe certo ou errado. O que sempre se deve perguntar é, qual o propósito daquela informação. Se atingiu seu propósito, usaram corretamente a ferramenta.
No Twitter e no Facebook, por exemplo, é possível proteger as atualizações e controlar quem poderá ler as mesmas. Esta é uma forma de contornar os possíveis problemas?
Ivan Witt : Restringe um pouco a penetração da informação a curto prazo. Mas nada que é postado na internet pode ser considerado protegido. Se um amigo seu resolve fazer um “copiar e colar” da informação e enviar a outras pessoas de seu relacionamento, seu sigilo já foi quebrado. Tenha sempre em mente que a internet é um território inóspito para confidências e segredos.
Para finalizar, quais as dicas o profissional deve ter em mente ao utilizar tais redes?
Ivan Witt : Uma regra fácil é imaginar-se dando uma entrevista ao vivo para um grande público. Seja coerente, não invente nem tripudie. A informação que você publica fica para sempre atrelada a você. Além disso, repassar uma informação mentirosa não tira só a credibilidade de quem assina o texto como também de quem o manda, portanto, é necessário cuidado.
Falar dos colegas, chefes ou da empresa, nem pensar. A rede está ao alcance de todos. Seu amigo também tem amigos e num piscar de olhos seu comentário restrito vaza. Além de ser antiético não fica nada bem para o relacionamento no ambiente de trabalho.
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