Then I decided the only way to finish my dissertation was to live somewhere I’d be unhappy so I could focus. I moved into a hovel in Northampton with a friend, where we lived like monks and our apartment was full of skunk cabbage. Our heating system was an open flame in one room and we had to sleep in hats. I finished my dissertation.
Tem uma coisa que me irrita bastante e acontece seguidamente. Alguém fala algo genial. O outro responde “ah, eu ia dizer isso mesmo”. Sempre me parece mentira. “Não seu cretino, você não ia dizer ¬¬”.
Aí hoje quando li essa frase da Rachel Maddow, dyke da minha vida e exemplo de profissional que eu gostaria de ser se não abominasse tanto a profissão, lembrei de ontem, quando eu estava pensando em atualizar o blog.
A abordagem seria a seguinte: quando minha vida era uma miséria, havia tempo de sobra para estudar. Justamente agora, que tenho que me matar nos livros, a vida nunca pareceu tão boa. Se existe alguma inteligência “divina”, só pode estar de brincadeira comigo. Ou inteligência não é o melhor termo para definir seja-lá-o-que-for.
É engraçado ver que quanto mais eu leio Uma Longa Queda, mais me encanto com os personagens. Mesmo tendo praticamente decorado todos os diálogos. E mesmo lendo apenas quando estou um bocado deprimida. O que me leva a uma pausa para outro livro e seu Momento Miss:
- Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e três vezes!
E um pouco mais tarde acrescentou:
- Quando a gente está triste demais, gosta do pôr-do-sol…
- Estavas tão triste assim no dia dos quarenta e três?
Mas o principezinho não respondeu.
Fim do Momento Miss.
Nas primeiras leituras eu gostava do JJ e do Martin. A Maureen e a Jess não pareciam ser o meu tipo de suicidas. Hoje eu sou mais Mauren e JJ do que Martin e Jess. Mas isto é coisa que muda a cada leitura. O ponto é que nessa última leitura vi que minha vida ficou igual a da Maureen (e espero que meus três leitores e meio tenham lido o livro para não se perderem no raciocínio). Perto do final, ela diz uma frase que não tem nada de genial. E por isso mesmo é genial.
“É a vida. Uma pessoa cruza com a outra e, aquela pessoa quer alguma coisa, ou conhece outra que quer e, como resultado, as coisas acontecem. Ou colocando de outra forma, se você não sai e nunca conhece ninguém, então nada acontece. Como poderia acontecer?”
Eu avisei que não tinha nada demais. E é a frase dita por uma mulher solteira, crente, de mais de 50, que decide se jogar de um prédio porque sua vida parou quando o filho nasceu – há mais de 20 anos. Um guri em estado vegetativo desde sempre.
E, num piscar de olhos eu sou a Maureen. Só que meus filhos eram o transtorno alimentar e a fobia social. Por eles, perdi um bom pedaço da vida, mas, né? ainda tenho 24, e não estive – ao menos literalmente - à beira de um prédio. De forma que minha história é bem menos dramática, admito.
Ainda assim, eu fico puta com isso. Mas aprendi que lamentar é quase tão produtivo quanto sentar e observar uma corrida de tartarugas.
No caso do livro, o Chas meio que salvou o pessoal do suicídio (quem não leu, não precisa ficar indignado com spoilers porque isso tá na capa do livro). A Duda é o meu Chas. Não sei se cabe a comparação porque ele se mostra irrelevante na história e a minha amiga não é por um segundo irrelevante. Mas enfim, foi por ele que ninguém pulou.
E por ter me ciceroneado, hoje eu vou a bares e quase sou expulsa pelos seguranças, vou no Beco, caio de amores por DJs (ok, platônicos mas, oi, é um começo), dou em cima de gurias (coisa que eu não faria nem por um frasco de comprimidos de Greg House), não apanho e saio no lucro em boa parte do tempo, bebo sem me deprimir com o número insano de calorias contidas em uma Open, encaro xis com fritas do Cavanhas, não recuso convite para sair com desconhecidas – já acho até divertido, entre outros.
São coisas que qualquer pessoa normal faz com um pé nas costas. E tais coisas me surpreendem muito porque eu sei que até pouco menos de um ano eu era outra. (Eu era alguém que ouviu Bright Eyes seis mil vezes e MCR, 1.500 e, vamos combinar, não me orgulho nada disso).
Este final de semana foi provavelmente um dos melhores que já passaram pelo meu calendário e eu queria fazer aquele esquema “querido diário”:
-aí eu disse
-aí ela fez
-aí eu fiz
-aí nos quase fomos
-aí nos perdemos
-aí nos viajamos
-aí nós chegamos
-aí ela morreu
-aí eu me arrependo
E a vontade de detalhar não se restringe apenas à noite no Laika com a suicide girl, serve também para a Open e para o domingo na República. Mas eu sei o quanto isso não é novo pra ninguém.
Só quero deixar minimamente registrado porque diários pegam fogo e bytes, bem, bytes me ajudarão quando o Alzheimer pegar mais forte. E na verdade eu só escrevo por este motivo de modo que nem deveria estar me desculpando.
Quarta tem Open. Eu deveria estar estudando a Teoria do Meio, o McLuhan e o Twitter, pra ganhar o maldito diploma inválido de jornalista. O que é mais motivador?
Eu penso o mesmo.