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Sobre

umbiguismo, saca?

Ponho a mão no fogo

27 July 09
Then I decided the only way to finish my dissertation was to live somewhere I’d be unhappy so I could focus. I moved into a hovel in Northampton with a friend, where we lived like monks and our apartment was full of skunk cabbage. Our heating system was an open flame in one room and we had to sleep in hats. I finished my dissertation. 
Tem uma coisa que me irrita bastante e acontece seguidamente. Alguém fala algo genial. O outro responde “ah, eu ia dizer isso mesmo”. Sempre me parece mentira. “Não seu cretino, você não ia dizer ¬¬”.

Aí hoje quando li essa frase da Rachel Maddow, dyke da minha vida e exemplo de profissional que eu gostaria de ser se não abominasse tanto a profissão, lembrei de ontem, quando eu estava pensando em atualizar o blog. 

A abordagem seria a seguinte: quando minha vida era uma miséria, havia tempo de sobra para estudar. Justamente agora, que tenho que me matar nos livros, a vida nunca pareceu tão boa. Se existe alguma inteligência “divina”, só pode estar de brincadeira comigo. Ou inteligência não é o melhor termo para definir seja-lá-o-que-for. 

É engraçado ver que quanto mais eu leio Uma Longa Queda, mais me encanto com os personagens. Mesmo tendo praticamente decorado todos os diálogos. E mesmo lendo apenas quando estou um bocado deprimida. O que me leva a uma pausa para outro livro e seu Momento Miss:

- Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e três vezes!
E um pouco mais tarde acrescentou:
- Quando a gente está triste demais, gosta do pôr-do-sol…
- Estavas tão triste assim no dia dos quarenta e três?
Mas o principezinho não respondeu.

Fim do Momento Miss. 
Nas primeiras leituras eu gostava do JJ e do Martin. A Maureen e a Jess não pareciam ser o meu tipo de suicidas. Hoje eu sou mais Mauren e JJ do que Martin e Jess. Mas isto é coisa que muda a cada leitura. O ponto é que nessa última leitura vi que minha vida ficou igual a da Maureen (e espero que meus três leitores e meio tenham lido o livro para não se perderem no raciocínio). Perto do final, ela diz uma frase que não tem nada de genial. E por isso mesmo é genial. 

“É a vida. Uma pessoa cruza com a outra e, aquela pessoa quer alguma coisa, ou conhece outra que quer e, como resultado, as coisas acontecem. Ou colocando de outra forma, se você não sai e nunca conhece ninguém, então nada acontece. Como poderia acontecer?”

Eu avisei que não tinha nada demais. E é a frase dita por uma mulher solteira, crente, de mais de 50, que decide se jogar de um prédio porque sua vida parou quando o filho nasceu – há mais de 20 anos. Um guri em estado vegetativo desde sempre. 

E, num piscar de olhos eu sou a Maureen. Só que meus filhos eram o transtorno alimentar e a fobia social. Por eles, perdi um bom pedaço da vida, mas, né? ainda tenho 24, e não estive – ao menos literalmente - à beira de um prédio. De forma que minha história é bem menos dramática, admito. 
Ainda assim, eu fico puta com isso. Mas aprendi que lamentar é quase tão produtivo quanto sentar e observar uma corrida de tartarugas. 

No caso do livro, o Chas meio que salvou o pessoal do suicídio (quem não leu, não precisa ficar indignado com spoilers porque isso tá na capa do livro). A Duda é o meu Chas. Não sei se cabe a comparação porque ele se mostra irrelevante na história e a minha amiga não é por um segundo irrelevante. Mas enfim, foi por ele que ninguém pulou.  

E por ter me ciceroneado, hoje eu vou a bares e quase sou expulsa pelos seguranças, vou no Beco, caio de amores por DJs (ok, platônicos mas, oi, é um começo), dou em cima de gurias (coisa que eu não faria nem por um frasco de comprimidos de Greg House), não apanho e saio no lucro em boa parte do tempo, bebo sem me deprimir com o número insano de calorias contidas em uma Open, encaro xis com fritas do Cavanhas, não recuso convite para sair com desconhecidas – já acho até divertido, entre outros.  

São coisas que qualquer pessoa normal faz com um pé nas costas. E tais coisas me surpreendem muito porque eu sei que até pouco menos de um ano eu era outra. (Eu era alguém que ouviu Bright Eyes seis mil vezes e MCR, 1.500 e, vamos combinar, não me orgulho nada disso). 

Este final de semana foi provavelmente um dos melhores que já passaram pelo meu calendário e eu queria fazer aquele esquema “querido diário”: 
-aí eu disse
-aí ela fez
-aí eu fiz
-aí nos quase fomos
-aí nos perdemos
-aí nos viajamos
-aí nós chegamos
-aí ela morreu
-aí eu me arrependo

E a vontade de detalhar não se restringe apenas à noite no Laika com a suicide girl, serve também para a Open e para o domingo na República. Mas eu sei o quanto isso não é novo pra ninguém. 

Só quero deixar minimamente registrado porque diários pegam fogo e bytes, bem, bytes me ajudarão quando o Alzheimer pegar mais forte. E na verdade eu só escrevo por este motivo de modo que nem deveria estar me desculpando. 

Quarta tem Open. Eu deveria estar estudando a Teoria do Meio, o McLuhan e o Twitter, pra ganhar o maldito diploma inválido de jornalista. O que é mais motivador?

Eu penso o mesmo.

Then I decided the only way to finish my dissertation was to live somewhere I’d be unhappy so I could focus. I moved into a hovel in Northampton with a friend, where we lived like monks and our apartment was full of skunk cabbage. Our heating system was an open flame in one room and we had to sleep in hats. I finished my dissertation.

Tem uma coisa que me irrita bastante e acontece seguidamente. Alguém fala algo genial. O outro responde “ah, eu ia dizer isso mesmo”. Sempre me parece mentira. “Não seu cretino, você não ia dizer ¬¬”.

Aí hoje quando li essa frase da Rachel Maddow, dyke da minha vida e exemplo de profissional que eu gostaria de ser se não abominasse tanto a profissão, lembrei de ontem, quando eu estava pensando em atualizar o blog.

A abordagem seria a seguinte: quando minha vida era uma miséria, havia tempo de sobra para estudar. Justamente agora, que tenho que me matar nos livros, a vida nunca pareceu tão boa. Se existe alguma inteligência “divina”, só pode estar de brincadeira comigo. Ou inteligência não é o melhor termo para definir seja-lá-o-que-for.

É engraçado ver que quanto mais eu leio Uma Longa Queda, mais me encanto com os personagens. Mesmo tendo praticamente decorado todos os diálogos. E mesmo lendo apenas quando estou um bocado deprimida. O que me leva a uma pausa para outro livro e seu Momento Miss:

- Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e três vezes!
E um pouco mais tarde acrescentou:
- Quando a gente está triste demais, gosta do pôr-do-sol…
- Estavas tão triste assim no dia dos quarenta e três?
Mas o principezinho não respondeu.

Fim do Momento Miss.
Nas primeiras leituras eu gostava do JJ e do Martin. A Maureen e a Jess não pareciam ser o meu tipo de suicidas. Hoje eu sou mais Mauren e JJ do que Martin e Jess. Mas isto é coisa que muda a cada leitura. O ponto é que nessa última leitura vi que minha vida ficou igual a da Maureen (e espero que meus três leitores e meio tenham lido o livro para não se perderem no raciocínio). Perto do final, ela diz uma frase que não tem nada de genial. E por isso mesmo é genial.

“É a vida. Uma pessoa cruza com a outra e, aquela pessoa quer alguma coisa, ou conhece outra que quer e, como resultado, as coisas acontecem. Ou colocando de outra forma, se você não sai e nunca conhece ninguém, então nada acontece. Como poderia acontecer?”

Eu avisei que não tinha nada demais. E é a frase dita por uma mulher solteira, crente, de mais de 50, que decide se jogar de um prédio porque sua vida parou quando o filho nasceu – há mais de 20 anos. Um guri em estado vegetativo desde sempre.

E, num piscar de olhos eu sou a Maureen. Só que meus filhos eram o transtorno alimentar e a fobia social. Por eles, perdi um bom pedaço da vida, mas, né? ainda tenho 24, e não estive – ao menos literalmente - à beira de um prédio. De forma que minha história é bem menos dramática, admito.
Ainda assim, eu fico puta com isso. Mas aprendi que lamentar é quase tão produtivo quanto sentar e observar uma corrida de tartarugas.

No caso do livro, o Chas meio que salvou o pessoal do suicídio (quem não leu, não precisa ficar indignado com spoilers porque isso tá na capa do livro). A Duda é o meu Chas. Não sei se cabe a comparação porque ele se mostra irrelevante na história e a minha amiga não é por um segundo irrelevante. Mas enfim, foi por ele que ninguém pulou.

E por ter me ciceroneado, hoje eu vou a bares e quase sou expulsa pelos seguranças, vou no Beco, caio de amores por DJs (ok, platônicos mas, oi, é um começo), dou em cima de gurias (coisa que eu não faria nem por um frasco de comprimidos de Greg House), não apanho e saio no lucro em boa parte do tempo, bebo sem me deprimir com o número insano de calorias contidas em uma Open, encaro xis com fritas do Cavanhas, não recuso convite para sair com desconhecidas – já acho até divertido, entre outros.

São coisas que qualquer pessoa normal faz com um pé nas costas. E tais coisas me surpreendem muito porque eu sei que até pouco menos de um ano eu era outra. (Eu era alguém que ouviu Bright Eyes seis mil vezes e MCR, 1.500 e, vamos combinar, não me orgulho nada disso).

Este final de semana foi provavelmente um dos melhores que já passaram pelo meu calendário e eu queria fazer aquele esquema “querido diário”:
-aí eu disse
-aí ela fez
-aí eu fiz
-aí nos quase fomos
-aí nos perdemos
-aí nos viajamos
-aí nós chegamos
-aí ela morreu
-aí eu me arrependo

E a vontade de detalhar não se restringe apenas à noite no Laika com a suicide girl, serve também para a Open e para o domingo na República. Mas eu sei o quanto isso não é novo pra ninguém.

Só quero deixar minimamente registrado porque diários pegam fogo e bytes, bem, bytes me ajudarão quando o Alzheimer pegar mais forte. E na verdade eu só escrevo por este motivo de modo que nem deveria estar me desculpando.

Quarta tem Open. Eu deveria estar estudando a Teoria do Meio, o McLuhan e o Twitter, pra ganhar o maldito diploma inválido de jornalista. O que é mais motivador?

Eu penso o mesmo.

31 January 09

pagando pau, bial

“sabe aquele cara que você admira por ter idéias simples e brilhantes? não parece, de modo algum, pedante ou auto-suficiente. ao contrário, está mais próximo de ser o irmão mais velho que decifra alguns dos mistérios mais complicados do mundo”

A frase acima não é minha. Mas deveria. A frase acima é do meu orientador, um cara que eu admiro desde 2005/01 por ter idéias simples e brilhantes e que não parece, de modo algum, pedante. Ele é, sim, um misto de House com Cal Leightman (da nova série Lie To Me), mas por ser competente daquela forma que te inspira a tentar ser ao menos um pouco como ele. Pois bem, como eu disse ele é meu orientador e isso parece positivo, né? Professor que motiva mais TCC deveria ser igual a genialidade no papel. Acontece que eu tenho pavor dele.

Ao longo dos anos, fui erguendo um pedestal e ele ficou cada vez mais lá em cima. E eu, com minha mediocridade crescente, fui cada vez mais para baixo. Agora o TCC está aí e tenho medo de fazer coisas estúpidas. Medo mesmo. Daquele que te impede de conversar com a pessoa em qualquer forma não-virtual. Dia desses, tive que entrevistá-lo pro site onde trabalho. Era pra ter ligado, mas desisti. Falamos pelo GTalk. Para conversar sobre o trabalho, ele sugeriu um almoço. Obviamente, o almoço em si já seria aterrorizante se eu fosse sozinha. Mas conversar com o orientador durante um almoço, me pareceu pior que passar 1 semana em Guantanamo. Recusei. Felizmente ele sabe, por cima, dos meus TAs. E também sabe da fobia social (inclusive disse que tenho perfil de sociopata).

* * Esclarecimento breve * *

As poucas pessoas que sabem dessa minha idolatria arriscam a teoria ah-isso-é-paixonite. Eu fico bem irritada. Uma garota não pode nutrir admiração por um professor sem que o algoritmo sexual seja acionado. O fato de ser bem novo, também levanta suspeitas irritantes. Por isso tenho saído do armário no Twitter. Basicamente, pra deixar claro que meu interesse é exclusivamente acadêmico. Minto. Se eu fosse normal, queria ser amiga dele. Mas é só. Juro. * * Fim do esclarecimento pouco-breve * *

Eu tenho muito medo de ficar abaixo das expectativas do meu orientador. Muito medo. Ele já falou de três ofertas de empregos bem legais e nao tive coragem de me candidatar por medo de não fazer um trabalho fodidamente bom.

Pavor de engordar, pavor de decepcionar, pavor de perder. Isso acontece só comigo, né? =/

Update: para o ciclo de paixoes-em-academia, tem uma guria liiiinda na alternativa. tem várias bonitas, mas essa é ultra-mega-linda apesar de ser baixinha. e é muito magra. coisa mais legal é fazer transport, que fica do ladinho de onde ela fica hehe. mas hoje, lurkeando no orkut, descobri que: 1)é casada. acho que nao oficialmente, mas declara-se casada. 2)com um cara feio demais 3)tem aquele tipo de perfil colorido e cheio de comunidades bestas 4)era gorda. gordinha. acho até que é anoréxica, pq hoje dá pra ver os ossos da coluna e nas fotos era bem mais cheinha -da forma antiga, nao era nada de estupenda. enfim, nao é como a professora de combat da academia antiga (geez, eu casaria com ela), mas é uma grande diversão para as minhas horas de sofrimento (esteira e transport nao sao muito legais afterall)

3 December 08

diferential diagnosis, people


Na boa? Descobri um lance importantíssimo. Não é paixão platônica. Nunca foi. Hoje percebi que desprezo 85% da humanidade. Outros 10% considero como iguais a mim. Lembre que não me adoro loucamente. Aí tem esses 5% que eu encontro vez ou outra, ao longo dos anos. São pessoas que respeito, idolatro, deixo num pedestal altíssimo porque fazem algo que eu gostaria de fazer. Porque são bonitas, inteligentes, bem articuladas, espertas, incomuns. Invariavelmente penso que estou apaixonada, mas não é nada disso.

Mas, enfim, só queria esclarecer isto mesmo. Pra minha mãe (oi mãe, manda um abraço pro Tony Cósmico, ok?) e pra qualquer um dos alvos da pseudo-paixão e seus correlatos. Eu sinto uma necessidade filhadaputa de escrever e publicar sobre cada um dos minutos da minha vida. Mas as únicas pessoas que lêem esta porra fazem parte da minha família (oi, mãe), são psicopatas ou chegam aqui através de perguntas bizarras no google (como afinar/engrossar as pernas? por exemplo).

De qualquer forma, acabou o semestre letivo. Tirei boas notas em cadeiras de texto. Remei em cadeiras de rádio. Semestre que vem começo meu TCC. Ainda não sei sobre o que será mas tem que chutar bundas. Antes disso terei de emagrecer, pra ter como única preocupaçao a unisinos e o trabalho.

Estou quase voltando ao velho e bom diário.

Themed by Hunson. Originally by Josh